segunda-feira, março 19, 2012

Da inconstância

Nasce o sol e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formusura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o sol, porque nascia?
Se é tão formosa a luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no sol e na luz falta a firmeza,
Na formusura não se dê constância
E, na alegria, sinta-se tristeza.

Começa o mundo, enfim, pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos

2 comentários:

nils disse...

Sabes bem quanto gosto disto... :)

João Miguel Henriques disse...

Sim, bem sei. Eu também gosto. Do poeta, claro, não tanto da inconstância. Ainda tenho o teu livro... Um abraço.