quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Paulo Roberto Sodré


Sei que faz bastante tempo que não vinha aos quartos escuros com alguma coisa de novo. Passaram-se bastantes dias, pelo que peço desculpa. Na sequência de alguns textos sobre poetas contemporâneos de línguas ibero-americanas, especialmente poetas brasileiros, regresso com um nome de Espírito Santo, o meu amigo Paulo Roberto Sodré de olhos suaves e sorriso largo. Apesar de ter-se estreado em poesia já em 1984, apenas lhe conheço o último livro, Senhor Branco ou o Indesejado das Gentes, invulgar nomeação da própria morte, o motivo central de um conjunto de poemas subtilmente estruturados em três partes e respectivos "contrapontos". Mais do que uma caligrafia da morte, de rosto sereno e até por vezes amistoso, o que aqui encontramos são poemas que valem por si próprios, traços de uma particular e por vezes enigmática relação com esse senhor branco e os seus indícios de sombra e frio. O verso muitas vezes curto e ritmado, em estrofes igualmente reduzidas, são a forma bastante feliz de uma voz que em alguns momentos ecoa a dos clássicos. Não resisto a reproduzir o belíssimo "Onde Froidmond".
Onde Froidmond,
que monda fria fez
do joio e do cereal
nos passos dos homens
entre versos sombrios?

Onde teus cantares
vetustos, vexados, vislumbrados
com o finíssimo da lâmina
de teu movimento?

"Morte, tu me obrigas a mudar
Nesta estufa em que meu corpo sua
Todos os excessos do século."

Onde Hélinand,
obstinado pela luz
de tua passagem certa?

Ris?

1 comentário:

Veradete disse...

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COMO ADQUIRO?
livrariacanteiros@hotmail.com