domingo, maio 22, 2011
quinta-feira, maio 19, 2011
Recebido hoje, via e-mail, de uma galáxia longínqua
Máquinas, convocai a vós o sangue verdadeiro que vos percorre!
Humanos, ligai em vós a turbina de metal que vos suporta!
Seres cyborguianos do futuro, sejamos o tempo que há em nós... para sempre!
Humanos, ligai em vós a turbina de metal que vos suporta!
Seres cyborguianos do futuro, sejamos o tempo que há em nós... para sempre!
terça-feira, maio 17, 2011
domingo, maio 01, 2011
quinta-feira, abril 28, 2011
sexta-feira, abril 22, 2011
Dois poemas de Ana Rüsche
Retirados do último livro da autora, Nós Que Adoramos um Documentário (São Paulo, 2010)
e assim ficamos
como tudo, como sempre
esse ever unfinished business
sem a coragem dum chefe da máfia pra te aprontar
na rua as vias de facto
como tudo e como sempre
with so much love
esse isso tão difícil, a kind of rush
um compromisso com algo mais terrível do que o
amor
o arrastado passar dos dias
a cirurgia foi um after hours, mas estou
acostumada a ir dormir tarde
acho que os médicos também, tão animados
fui sim até o centro cirúrgico bem acordada e
fiquei acordada, sinto a hack entrando
entrando...
ainda ao longe, bem corajosinha, uma conversa
sobre qualquer coisa, luzes nos olhos
para que me sinta bem iluminada, bem disposta
de súbito lembro que não fiz depilação, e isso me
envergonha mortalmente
seria tudo filmado e colocado no youtube da
faculdade de medicina, ririam de mim
mas tenho de explicar - foi de urgência a
cirurgia, não houve tempo
nunca há tempo para nada nessas terras, apenas
para ficar ali, suspensa
e, afinal, não tenho namorado, foi uma urgência,
acontece
no início me estacionaram com o carro-maca ao
lado de um cara paciente também
podíamos até começar ali um romance,
lembro de ter desejado ao final "boa sorte, moça"
e isso acabou já com tudo, que bobo
ele morria de medo, ia retirar uma pedra do rim e
não se rendia a dormir
eu logo disse, ah, comigo também pensaram que
era cálculo renal, pela dor,
mas depois viram que era uma laranja na
barriga que eu tinha...
de súbito lembro que removeram o cara paciente
com seu carro-maca e com seu medo
e fiquei pensando num poema do zukofsky, sobre
uma laranja e o sol e a letra a
e estava já chorando, desesperada por estar sozinha
e confundindo os poemas, estar tão sozinha,
e a dor, bem, isso é com as mulheres
os papéis
e assim ficamos
como tudo, como sempre
esse ever unfinished business
sem a coragem dum chefe da máfia pra te aprontar
na rua as vias de facto
como tudo e como sempre
with so much love
esse isso tão difícil, a kind of rush
um compromisso com algo mais terrível do que o
amor
o arrastado passar dos dias
num quando
a cirurgia foi um after hours, mas estou
acostumada a ir dormir tarde
acho que os médicos também, tão animados
fui sim até o centro cirúrgico bem acordada e
fiquei acordada, sinto a hack entrando
entrando...
ainda ao longe, bem corajosinha, uma conversa
sobre qualquer coisa, luzes nos olhos
para que me sinta bem iluminada, bem disposta
de súbito lembro que não fiz depilação, e isso me
envergonha mortalmente
seria tudo filmado e colocado no youtube da
faculdade de medicina, ririam de mim
mas tenho de explicar - foi de urgência a
cirurgia, não houve tempo
nunca há tempo para nada nessas terras, apenas
para ficar ali, suspensa
e, afinal, não tenho namorado, foi uma urgência,
acontece
no início me estacionaram com o carro-maca ao
lado de um cara paciente também
podíamos até começar ali um romance,
lembro de ter desejado ao final "boa sorte, moça"
e isso acabou já com tudo, que bobo
ele morria de medo, ia retirar uma pedra do rim e
não se rendia a dormir
eu logo disse, ah, comigo também pensaram que
era cálculo renal, pela dor,
mas depois viram que era uma laranja na
barriga que eu tinha...
de súbito lembro que removeram o cara paciente
com seu carro-maca e com seu medo
e fiquei pensando num poema do zukofsky, sobre
uma laranja e o sol e a letra a
e estava já chorando, desesperada por estar sozinha
e confundindo os poemas, estar tão sozinha,
e a dor, bem, isso é com as mulheres
segunda-feira, abril 18, 2011
Decrescimento. Uma ideia para o futuro
Porque o consumo sempre escraviza. Porque o aclamado crescimento económico nunca conduziu a justiça, igualdade e crescimento humano. Porque se aos poucos mais gente começar a sair da lógica do mercado, o mercado definha, a besta morre.
terça-feira, abril 12, 2011
domingo, abril 10, 2011
sexta-feira, abril 01, 2011
Dois poemas de Virna Teixeira
o rio seguia seu curso
molhava os pés nas margens
Lisboa vista de longe,
no esquadro de um muro em ruínas
dois pescadores, anzóis
a cidade chovia
na distância ,cercada
de ciprestes
,seu labirinto visto
da colina
muralha de
pedras .móveis
molhava os pés nas margens
Lisboa vista de longe,
no esquadro de um muro em ruínas
dois pescadores, anzóis
in Atlântico
a cidade chovia
na distância ,cercada
de ciprestes
,seu labirinto visto
da colina
muralha de
pedras .móveis
na arena do tempo
in Mar Morto
segunda-feira, março 28, 2011
Atlântico. Mar Morto
Mares que me chegaram do outro lado do mar. Duas plaquetes da poeta e amiga Virna Teixeira, construídas com a sensibilidade própria das melhores arqueiras.
Por agora ficam as imagens (de Zsófia Pilhál). Seguem-se em breve os poemas.
terça-feira, março 22, 2011
quinta-feira, março 17, 2011
Silêncio. Um poema de Nuno Dempster
De repente ficou tudo deserto
na área de serviço da BP:
a luz do sol, os dois camiões TIR,
atrás uma paisagem de ninguém.
Por entre penedias e carvalhos,
nem sequer a lembrança das pegadas
que do início dos dias me recorda
a ideia de haver morte, se a terra é
as estações contínuas que mantêm
real a sobrevida, o tempo intacto.
Vulto que respirasse só o meu.
Por ali nenhum outro se assomava.
Talvez tivesse sido uma explosão,
talvez tivesse sido o Sol distante
numa fissura de átomos de gelo.
guardá-lo para sempre nos meus olhos,
que feliz abstraído viveria
nos mil metros quadrados sem ninguém
da área de serviço da BP.
na área de serviço da BP:
a luz do sol, os dois camiões TIR,
atrás uma paisagem de ninguém.
Por entre penedias e carvalhos,
nem sequer a lembrança das pegadas
que do início dos dias me recorda
a ideia de haver morte, se a terra é
as estações contínuas que mantêm
real a sobrevida, o tempo intacto.
Vulto que respirasse só o meu.
Por ali nenhum outro se assomava.
Talvez tivesse sido uma explosão,
talvez tivesse sido o Sol distante
numa fissura de átomos de gelo.
E no entanto se a morte fosse assim,
se o final fosse aquele espanto claro
das bombas de gasóleo sem ninguém,
dos camiões parados e sem préstimo,
das coisas no seu último sentido
que é não haver sentido para nada,
se eu pudesse fixar esse momento,guardá-lo para sempre nos meus olhos,
que feliz abstraído viveria
nos mil metros quadrados sem ninguém
da área de serviço da BP.
Nuno Dempster, in Poesia Reunida
domingo, março 13, 2011
sexta-feira, março 11, 2011
Das ideias
Ideas are like fish.
If you want to catch little fish, you can stay in the shallow water. But if you want to catch the big fish, you've got to go deeper.
Down deep, the fish are more powerful and more pure. They're huge and abstract. And they're very beautiful.
I look for a certain kind of fish that is important to me (...) But there are all kinds of fish swimming down there. There are fish for business, fish for sports. There are fish for everything.
Everything, anything that is a thing, comes up from the deepest level. Modern physics calls that level the Unified Field. The more your consciousness - your awareness - is expanded, the deeper you go toward this source, and the bigger the fish you can catch.
David Lynch, Catching the Big Fish
terça-feira, março 08, 2011
Regresso ao futuro
Na sua página pessoal, na secção dedicada ao projecto "Back to the Future", a fotógrafa argentina Irina Werning confessa ter uma enorme predilecção por fotografias antigas: "I love old photos. I admit being a nosey photographer. As soon as I step into someone else’s house, I start sniffing for them." Daí surgiu a ideia de reencenar essas mesmas fotografias, nos mesmo lugares e com os mesmo protagonistas. Mas como é evidente, a única coisa a que uma reencenação não pode fugir é ao factor tempo (mesmo que se recupere o grão antigo da fotografia original), pelo que os protagonistas têm todos agora mais umas dezenas de anos em cima. O resultado é admirável, e desencadeia no observador um misto de comoção e perplexidade. Como aliás é próprio do tempo que sempre passa.
sábado, março 05, 2011
quinta-feira, março 03, 2011
The rhythms pronounce themselves then vanish
After they told me the CT showed
there was nothing wrong with my stomach
but my heart was failing, I plunked
one of those weird two-dollar tea balls
I bought in Chinatown and it bobbed
and bloomed like a sea monster and tasted
like feet and I had at this huge
chocolate bar I got at Trader Joe's
and didn't answer the door even though
I could see it was UPS with the horse
medication and I thought of that picture
Patti took of me in an oval frame. Sweat
itself is odorless, composed of water,
sodium chloride, potassium salts,
and lactic acid; it's the bacteria growing
on dead skin that provides the stench.
The average life span of a human taste bud
is seven to ten days. Nerve pulses
can travel up to a hundred and seventy miles per hour.
is one inch wide and five miles long.
Dean Young (The New Yorker, February 14-21, 2011)
there was nothing wrong with my stomach
but my heart was failing, I plunked
one of those weird two-dollar tea balls
I bought in Chinatown and it bobbed
and bloomed like a sea monster and tasted
like feet and I had at this huge
chocolate bar I got at Trader Joe's
and didn't answer the door even though
I could see it was UPS with the horse
medication and I thought of that picture
Patti took of me in an oval frame. Sweat
itself is odorless, composed of water,
sodium chloride, potassium salts,
and lactic acid; it's the bacteria growing
on dead skin that provides the stench.
The average life span of a human taste bud
is seven to ten days. Nerve pulses
can travel up to a hundred and seventy miles per hour.
All information is useless.
The typical lightning boltis one inch wide and five miles long.
Dean Young (The New Yorker, February 14-21, 2011)
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
sábado, fevereiro 26, 2011
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