terça-feira, abril 12, 2011
domingo, abril 10, 2011
sexta-feira, abril 01, 2011
Dois poemas de Virna Teixeira
o rio seguia seu curso
molhava os pés nas margens
Lisboa vista de longe,
no esquadro de um muro em ruínas
dois pescadores, anzóis
a cidade chovia
na distância ,cercada
de ciprestes
,seu labirinto visto
da colina
muralha de
pedras .móveis
molhava os pés nas margens
Lisboa vista de longe,
no esquadro de um muro em ruínas
dois pescadores, anzóis
in Atlântico
a cidade chovia
na distância ,cercada
de ciprestes
,seu labirinto visto
da colina
muralha de
pedras .móveis
na arena do tempo
in Mar Morto
segunda-feira, março 28, 2011
Atlântico. Mar Morto
Mares que me chegaram do outro lado do mar. Duas plaquetes da poeta e amiga Virna Teixeira, construídas com a sensibilidade própria das melhores arqueiras.
Por agora ficam as imagens (de Zsófia Pilhál). Seguem-se em breve os poemas.
terça-feira, março 22, 2011
quinta-feira, março 17, 2011
Silêncio. Um poema de Nuno Dempster
De repente ficou tudo deserto
na área de serviço da BP:
a luz do sol, os dois camiões TIR,
atrás uma paisagem de ninguém.
Por entre penedias e carvalhos,
nem sequer a lembrança das pegadas
que do início dos dias me recorda
a ideia de haver morte, se a terra é
as estações contínuas que mantêm
real a sobrevida, o tempo intacto.
Vulto que respirasse só o meu.
Por ali nenhum outro se assomava.
Talvez tivesse sido uma explosão,
talvez tivesse sido o Sol distante
numa fissura de átomos de gelo.
guardá-lo para sempre nos meus olhos,
que feliz abstraído viveria
nos mil metros quadrados sem ninguém
da área de serviço da BP.
na área de serviço da BP:
a luz do sol, os dois camiões TIR,
atrás uma paisagem de ninguém.
Por entre penedias e carvalhos,
nem sequer a lembrança das pegadas
que do início dos dias me recorda
a ideia de haver morte, se a terra é
as estações contínuas que mantêm
real a sobrevida, o tempo intacto.
Vulto que respirasse só o meu.
Por ali nenhum outro se assomava.
Talvez tivesse sido uma explosão,
talvez tivesse sido o Sol distante
numa fissura de átomos de gelo.
E no entanto se a morte fosse assim,
se o final fosse aquele espanto claro
das bombas de gasóleo sem ninguém,
dos camiões parados e sem préstimo,
das coisas no seu último sentido
que é não haver sentido para nada,
se eu pudesse fixar esse momento,guardá-lo para sempre nos meus olhos,
que feliz abstraído viveria
nos mil metros quadrados sem ninguém
da área de serviço da BP.
Nuno Dempster, in Poesia Reunida
domingo, março 13, 2011
sexta-feira, março 11, 2011
Das ideias
Ideas are like fish.
If you want to catch little fish, you can stay in the shallow water. But if you want to catch the big fish, you've got to go deeper.
Down deep, the fish are more powerful and more pure. They're huge and abstract. And they're very beautiful.
I look for a certain kind of fish that is important to me (...) But there are all kinds of fish swimming down there. There are fish for business, fish for sports. There are fish for everything.
Everything, anything that is a thing, comes up from the deepest level. Modern physics calls that level the Unified Field. The more your consciousness - your awareness - is expanded, the deeper you go toward this source, and the bigger the fish you can catch.
David Lynch, Catching the Big Fish
terça-feira, março 08, 2011
Regresso ao futuro
Na sua página pessoal, na secção dedicada ao projecto "Back to the Future", a fotógrafa argentina Irina Werning confessa ter uma enorme predilecção por fotografias antigas: "I love old photos. I admit being a nosey photographer. As soon as I step into someone else’s house, I start sniffing for them." Daí surgiu a ideia de reencenar essas mesmas fotografias, nos mesmo lugares e com os mesmo protagonistas. Mas como é evidente, a única coisa a que uma reencenação não pode fugir é ao factor tempo (mesmo que se recupere o grão antigo da fotografia original), pelo que os protagonistas têm todos agora mais umas dezenas de anos em cima. O resultado é admirável, e desencadeia no observador um misto de comoção e perplexidade. Como aliás é próprio do tempo que sempre passa.
sábado, março 05, 2011
quinta-feira, março 03, 2011
The rhythms pronounce themselves then vanish
After they told me the CT showed
there was nothing wrong with my stomach
but my heart was failing, I plunked
one of those weird two-dollar tea balls
I bought in Chinatown and it bobbed
and bloomed like a sea monster and tasted
like feet and I had at this huge
chocolate bar I got at Trader Joe's
and didn't answer the door even though
I could see it was UPS with the horse
medication and I thought of that picture
Patti took of me in an oval frame. Sweat
itself is odorless, composed of water,
sodium chloride, potassium salts,
and lactic acid; it's the bacteria growing
on dead skin that provides the stench.
The average life span of a human taste bud
is seven to ten days. Nerve pulses
can travel up to a hundred and seventy miles per hour.
is one inch wide and five miles long.
Dean Young (The New Yorker, February 14-21, 2011)
there was nothing wrong with my stomach
but my heart was failing, I plunked
one of those weird two-dollar tea balls
I bought in Chinatown and it bobbed
and bloomed like a sea monster and tasted
like feet and I had at this huge
chocolate bar I got at Trader Joe's
and didn't answer the door even though
I could see it was UPS with the horse
medication and I thought of that picture
Patti took of me in an oval frame. Sweat
itself is odorless, composed of water,
sodium chloride, potassium salts,
and lactic acid; it's the bacteria growing
on dead skin that provides the stench.
The average life span of a human taste bud
is seven to ten days. Nerve pulses
can travel up to a hundred and seventy miles per hour.
All information is useless.
The typical lightning boltis one inch wide and five miles long.
Dean Young (The New Yorker, February 14-21, 2011)
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
sábado, fevereiro 26, 2011
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Vou ver se isto dá
vou tentar fazer isto
ver se isto dá
separar pela mente
o corpo da mente
e assim
dormir na cabeça
um sono profundo
enquanto passeio
pela estrada de abetos
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Do ódio cego
Do que de uma feita, por me valer, eu entendi o casco de uma coisa. Que, quando eu estava assim, cada de-manhã, com raiva de uma pessoa, bastava eu mudar, querendo pensar em outra, para passar a ter raiva dessa outra, também, igualzinho, soflagrante. E todas as pessoas, seguidas, que meu pensamento ia pegando, eu ia sentindo ódio delas, uma por uma, do mesmo jeito, ainda que fossem muito mais minhas amigas e eu em outras horas delas nunca tivesse tido quizília nem queixa. Mas o sarro do pensamento alterava as lembranças, e eu ficava achando que, o que um dia tivessem falado, seria por me ofender, e punha significado de culpa em todas as conversas e acções. O senhor me crê? E foi então que eu acertei com a verdade fiel: que aquela raiva estava em mim, produzida, era minha sem outro dono, como coisa solta e cega. As pessoas não tinham culpa de naquela hora eu estar passeando pensar nelas. Hoje, que enfim eu medito mais nessa agenciação encoberta da vida, fico me indagando: será que é a mesma coisa com a bebedice de amor? Toleima. O senhor ainda me releve. Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho que Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é. Zé Bebelo falava sempre com a máquina de acerto - inteligência só.
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas
sábado, fevereiro 19, 2011
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Regresso à natureza
Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices.
O homem - não o homem que Deus fez, mas o homem que a sociedade tem contrafeito, (...) - o homem assim aleijado como nós o conhecemos, é o animal mais absurdo, o mais disparatado e incongruente que habita na terra. (...) E quando as memórias da primeira existência lhe fazem nascer o desejo de sair desta outra, lhe influem alguma aspiração de voltar à natureza e a Deus, a sociedade, armada de suas barras de ferro, vem sobre ele, e o prende, e o esmaga, e o contorce de novo, e o aperta no ecúleo doloroso das suas formas.
Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
domingo, fevereiro 06, 2011
segunda-feira, janeiro 31, 2011
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