sábado, fevereiro 26, 2011

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Vou ver se isto dá



vou tentar fazer isto
ver se isto dá

separar pela mente
o corpo da mente

e assim

dormir na cabeça
um sono profundo
enquanto passeio
pela estrada de abetos

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Do ódio cego

Do que de uma feita, por me valer, eu entendi o casco de uma coisa. Que, quando eu estava assim, cada de-manhã, com raiva de uma pessoa, bastava eu mudar, querendo pensar em outra, para passar a ter raiva dessa outra, também, igualzinho, soflagrante. E todas as pessoas, seguidas, que meu pensamento ia pegando, eu ia sentindo ódio delas, uma por uma, do mesmo jeito, ainda que fossem muito mais minhas amigas e eu em outras horas delas nunca tivesse tido quizília nem queixa. Mas o sarro do pensamento alterava as lembranças, e eu ficava achando que, o que um dia tivessem falado, seria por me ofender, e punha significado de culpa em todas as conversas e acções. O senhor me crê? E foi então que eu acertei com a verdade fiel: que aquela raiva estava em mim, produzida, era minha sem outro dono, como coisa solta e cega. As pessoas não tinham culpa de naquela hora eu estar passeando pensar nelas. Hoje, que enfim eu medito mais nessa agenciação encoberta da vida, fico me indagando: será que é a mesma coisa com a bebedice de amor? Toleima. O senhor ainda me releve. Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho que Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é. Zé Bebelo falava sempre com a máquina de acerto - inteligência só.

João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Regresso à natureza

Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices.
O homem - não o homem que Deus fez, mas o homem que a sociedade tem contrafeito, (...) - o homem assim aleijado como nós o conhecemos, é o animal mais absurdo, o mais disparatado e incongruente que habita na terra. (...) E quando as memórias da primeira existência lhe fazem nascer o desejo de sair desta outra, lhe influem alguma aspiração de voltar à natureza e a Deus, a sociedade, armada de suas barras de ferro, vem sobre ele, e o prende, e o esmaga, e o contorce de novo, e o aperta no ecúleo doloroso das suas formas.

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra

domingo, fevereiro 06, 2011

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Coisas daqui

Cavalos à luz de Inverno

domingo, janeiro 23, 2011

sábado, janeiro 22, 2011

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Vivian Maier


Three years ago in Chicago, a twentysomething real-estate agent named John Maloof stumbled upon a hidden treasure: tens of thousands of negatives that had once belonged to one of the best, and least-known, street photographers.

Vivian Maier spoke with a European accent, worked as a live-in nanny, and seems to have taken most of her photographs on her days off; that and the fact that she died in 2009, at the age of 83, are pretty much all we know about her. (“I didn’t know what ‘street photography’ was when I purchased them,” Maloof said of the negatives.) But Maier’s photos—which are currently on display at the Chicago Cultural Center and are also available online—have their own stories to tell, and it's great to see them getting the recognition that Maier seems never to have sought for herself. (fonte: www.veryshortlist.com)




sexta-feira, janeiro 14, 2011

sábado, janeiro 08, 2011

As feridas, com a nossa idade

saram lentas as feridas com a nossa idade
os golpes todos fecham muito só a custo
e devagar cresce a crosta sobre a ferida.
e como tarda a cair com a nossa idade
os meses que demora, são esperas longas
e a pele com a nossa idade após a crosta
já não é pele como dantes renovada
mas cicatriz dos nossos anos, a nossa idade
marcação de ferida lenta e pena funda
de funda ferida que a idade já não cura

terça-feira, janeiro 04, 2011

Inédia. A propósito de uma dieta de ano novo

Inedia (Latin: "fasting") is the ability to live without food. The word was first used to describe a fast-based lifestyle within Catholic tradition, which holds that certain saints were able to survive for extended periods of time without food or drink other than the Eucharist.
Breatharianism is a related concept, in which believers claim food and possibly water are not necessary, and that humans can be sustained solely by prana (the vital life force in Hinduism), or according to some, by the energy in sunlight (according to Ayurveda, sunlight is one of the main sources of prana). The terms breatharianism or inedia may also refer to this philosophy practised as a lifestyle in place of the usual diet.
While there is not peer verified scientific support for the claims, some promote the practices of breatharianism as a skill which can be learned through specific techniques.

Alpais de Cudot (1156 - 1211)

Lidwina de Schiedam (1380 - 1433)

Kateri Tekakwitha (1656 - 1680)

Mollie Francher (1848 - 1916)


Paramahansa Yogananda (1893 - 1952)


 Therese Neumann (1898 - 1962)

Prahlad Jani (1929 - )

terça-feira, dezembro 28, 2010

Um poema de László Nagy (já que termino o ano por estas bandas)

Quem levará consigo o amor?

Quando a minha existência tiver sido absorvida
Para sempre, quem prestará culto ao violino que há no grilo?
Quem bafejará de fogo os ramos enregelados pela geada?
E quem irá mutilar-se a si mesmo em cima do arco-íris?
Quem em lágrimas há-de enlaçar coxas como penhascos
Até as transformar em campos que ondulam mansamente?
Quem há-de acariciar os cabelos, as artérias
Que têm a sua raiz presa aos muros,
Quem levantará por fim catedrais de injúrias
Em louvor de crenças desfeitas?
Quando a minha existência para sempre for absorvida
Quem espantará os abutres?
Quem levará consigo para a outra margem
O Amor, apertado entre os dentes? 

(Tradução de Fiama Hasse Pais Brandão)

domingo, dezembro 26, 2010

Coisas daqui

Daqui, de Budapeste. Um belíssimo bife tártaro ao almoço. Servido com vegetais crus e pão torrado. Numa bonita casa de pasto húngara de nome Nosztalgia.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Presentes (via msn)

filipa says
é verdade queremos saber o que a sofia precisa/quer para o natal
para não falharmos

joão says
acho que ela anda a precisar de meias...
assim de repente...

filipa says
opá
não dá para oferecer meias

filipa says
mas o que é que ela gosta?

joão says
se lhe escolheres uma roupa ela vai gostar de certeza

filipa says
boa
é isso
vou comprar com a mãe

filipa says
eu queria comprar-lhe uma maluxa falsa como a minha
mas o nosso fornecedor foi preso

joão says
lol

filipa says
estamos à espera que saia

joão says
lindo!

filipa says 
foi recambiado para espanha
mas já telefonou a dizer que volta
tudo controlado

quarta-feira, dezembro 22, 2010