| Cavalos à luz de Inverno |
segunda-feira, janeiro 31, 2011
domingo, janeiro 23, 2011
sábado, janeiro 22, 2011
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Vivian Maier
Three years ago in Chicago, a twentysomething real-estate agent named John Maloof stumbled upon a hidden treasure: tens of thousands of negatives that had once belonged to one of the best, and least-known, street photographers.
Vivian Maier spoke with a European accent, worked as a live-in nanny, and seems to have taken most of her photographs on her days off; that and the fact that she died in 2009, at the age of 83, are pretty much all we know about her. (“I didn’t know what ‘street photography’ was when I purchased them,” Maloof said of the negatives.) But Maier’s photos—which are currently on display at the Chicago Cultural Center and are also available online—have their own stories to tell, and it's great to see them getting the recognition that Maier seems never to have sought for herself. (fonte: www.veryshortlist.com)
sexta-feira, janeiro 14, 2011
sábado, janeiro 08, 2011
As feridas, com a nossa idade
saram lentas as feridas com a nossa idade
os golpes todos fecham muito só a custo
e devagar cresce a crosta sobre a ferida.
e como tarda a cair com a nossa idade
os meses que demora, são esperas longas
e a pele com a nossa idade após a crosta
já não é pele como dantes renovada
mas cicatriz dos nossos anos, a nossa idade
marcação de ferida lenta e pena funda
de funda ferida que a idade já não cura
os golpes todos fecham muito só a custo
e devagar cresce a crosta sobre a ferida.
e como tarda a cair com a nossa idade
os meses que demora, são esperas longas
e a pele com a nossa idade após a crosta
já não é pele como dantes renovada
mas cicatriz dos nossos anos, a nossa idade
marcação de ferida lenta e pena funda
de funda ferida que a idade já não cura
terça-feira, janeiro 04, 2011
Inédia. A propósito de uma dieta de ano novo
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| Lidwina de Schiedam (1380 - 1433) |
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| Kateri Tekakwitha (1656 - 1680) |
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| Mollie Francher (1848 - 1916) |
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| Paramahansa Yogananda (1893 - 1952) Therese Neumann (1898 - 1962) |
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| Prahlad Jani (1929 - ) |
sábado, janeiro 01, 2011
terça-feira, dezembro 28, 2010
Um poema de László Nagy (já que termino o ano por estas bandas)
Quem levará consigo o amor?
Quando a minha existência tiver sido absorvida
Para sempre, quem prestará culto ao violino que há no grilo?
Quem bafejará de fogo os ramos enregelados pela geada?
E quem irá mutilar-se a si mesmo em cima do arco-íris?
Quem em lágrimas há-de enlaçar coxas como penhascos
Até as transformar em campos que ondulam mansamente?
Quem há-de acariciar os cabelos, as artérias
Que têm a sua raiz presa aos muros,
Quem levantará por fim catedrais de injúrias
Em louvor de crenças desfeitas?
Quando a minha existência para sempre for absorvida
Quem espantará os abutres?
Quem levará consigo para a outra margem
O Amor, apertado entre os dentes?
Para sempre, quem prestará culto ao violino que há no grilo?
Quem bafejará de fogo os ramos enregelados pela geada?
E quem irá mutilar-se a si mesmo em cima do arco-íris?
Quem em lágrimas há-de enlaçar coxas como penhascos
Até as transformar em campos que ondulam mansamente?
Quem há-de acariciar os cabelos, as artérias
Que têm a sua raiz presa aos muros,
Quem levantará por fim catedrais de injúrias
Em louvor de crenças desfeitas?
Quando a minha existência para sempre for absorvida
Quem espantará os abutres?
Quem levará consigo para a outra margem
O Amor, apertado entre os dentes?
(Tradução de Fiama Hasse Pais Brandão)
domingo, dezembro 26, 2010
Coisas daqui
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Presentes (via msn)
filipa says
é verdade queremos saber o que a sofia precisa/quer para o natal
para não falharmos
joão says
acho que ela anda a precisar de meias...
assim de repente...
filipa says
opá
não dá para oferecer meias
filipa says
mas o que é que ela gosta?
joão says
se lhe escolheres uma roupa ela vai gostar de certeza
filipa says
boa
é isso
vou comprar com a mãe
filipa says
eu queria comprar-lhe uma maluxa falsa como a minha
mas o nosso fornecedor foi preso
joão says
lol
filipa says
estamos à espera que saia
joão says
lindo!
filipa says
foi recambiado para espanha
mas já telefonou a dizer que volta
tudo controlado
é verdade queremos saber o que a sofia precisa/quer para o natal
para não falharmos
joão says
acho que ela anda a precisar de meias...
assim de repente...
filipa says
opá
não dá para oferecer meias
filipa says
mas o que é que ela gosta?
joão says
se lhe escolheres uma roupa ela vai gostar de certeza
filipa says
boa
é isso
vou comprar com a mãe
filipa says
eu queria comprar-lhe uma maluxa falsa como a minha
mas o nosso fornecedor foi preso
joão says
lol
filipa says
estamos à espera que saia
joão says
lindo!
filipa says
foi recambiado para espanha
mas já telefonou a dizer que volta
tudo controlado
quarta-feira, dezembro 22, 2010
domingo, dezembro 12, 2010
Aniversário
Os Quartos Escuros fazem hoje sete anos, o que já é qualquer coisa. Para assinalar o feito (não tanto de resistir ao tempo, mas mais de não enjoar ir enfiando coisas nos cantos escuros do quarto), comprometo-me a enviar por e-mail um poema breve, de congeminação própria e absolutamente inédito, a todos os que se dignarem a deixar aqui um comentário.
Recupero também o poema da primeira entrada nos Quartos Escuros, em 12 de Dezembro de 2003:
se te atraem uns versos
de amor e pecado
e olhas as flores
de modo emotivo
se o sol p'la manhã
te incita ao lamento
e flutuas no espaço
perdido e ausente
se as coisas que dizes
não fazem sentido
e os dias parecem
mais longos que o tempo
então te digo
das duas uma
ou és mariconço
ou estás armado em parvo
e olhas as flores
de modo emotivo
se o sol p'la manhã
te incita ao lamento
e flutuas no espaço
perdido e ausente
se as coisas que dizes
não fazem sentido
e os dias parecem
mais longos que o tempo
então te digo
das duas uma
ou és mariconço
ou estás armado em parvo
sexta-feira, dezembro 10, 2010
quarta-feira, dezembro 08, 2010
sábado, dezembro 04, 2010
Na sala
estão na idade os pais
em que há medo de um certo futuro.
comem à mesa e trocam olhares.
sabem que os anos virão
mas não o que virá com eles
entretanto, no outro lado da sala,
falta-me o tunisino jaziri
para completar a colecção de cromos
quinta-feira, dezembro 02, 2010
segunda-feira, novembro 29, 2010
sexta-feira, novembro 26, 2010
Rei Batráquio. Uma fábula muito pequena
Nós vivemos ali perto da Imprensa Nacional, numa daquelas íngremes artérias desarborizadas, expostas a todos os caprichos do clima, da invernosa inclemência à canícula mais severa. A casa não é particularmente espaçosa, mas já luz não lhe falta, luz em marés permanentes, e um certo encanto de recato aburguesado, com a sua biblioteca colorida, a pequena sala de refeições e o soalho original em madeira escura. Aqui vivemos, ia dizendo, numa tranquilidade amorosa conquistada ao rigor do quotidiano e ao efeito cruel de certos dias menos conseguidos. Vivemos, eu e ela. E praticamente desde o início do nosso consórcio, também um terceiro simpático elemento, que com os meses foi ganhando o seu espaço e peculiar influência, como que estranhamente alimentado pela atenção que lhe fomos concedendo, meio ingénuos do que ali se prefigurava.
A vida conjugal, mesmo se isenta de prole, como é o nosso caso, nunca se resume em absoluto a uma existência a dois. Um casal monta casa. É escolhido o mobiliário e são dispostos objectos e comodidades. A todos eles, naturalmente a uns mais do que a outros, fica ligado o casal por laços afectivos de ambígua natureza, amiúde construídos por força e desfrute da diária coabitação, numa mecânica de inconscientes traços panteístas.
Homem e mulher vivem portanto ali perto da Imprensa Nacional, rodeados de livros, ícones decorativos, roupa de cama, instrumentalidades de cozinha e higiene pessoal, e um certo pequeno e flácido animal, de parcas palavras e reduzida locomoção, ao qual se deve atribuir o mérito de connosco ter logrado constituir família.
É que somos mesmo uma família, em todas as mais ambiciosas acepções do termo. Eu, ela e um sapo verde de peluche, de enormes olhos salientes, uma bocarra de interior vermelho vivo e, em cima da cabeça, entre as duas órbitas vigilantes, uma coroa dourada de rei, ostentação permanente de sua batráquia realeza.
Não sei honestamente que movimento afectivo ou rebuscado exercício do nosso intelecto terá promovido este dócil boneco ao estatuto de que hoje é incontestável detentor. O nosso rei, de personalidade um tanto ou quanto fleumática, é suave ao tacto como só o alcança essa prodigiosa combinação de excelsa matéria industrial chinesa, recheada da melhor espuma que até hoje para o efeito se concebeu. Rei de manhã à noite. Onde dorme? Na nossa cama, ora envolvido em abraços ternos ou esmagado, sem um queixume, sob o peso dos nossos corpos. Rei fiel e eterno. O que come? Constantemente a mesmíssima mosca, repetidamente apanhada com admirável perícia, bordada no interior da enorme boca. Rei nosso, nunca posto ou morto. E como passa o dia? A esmagadora maioria do tempo, espojado na cama, na penumbra do quarto, em insondáveis meditações do espírito ou em silenciosa avaliação do estado do seu exíguo reino.
Pus-me recentemente a pensar que coisa poderia significar ou que papel desempenhar este rei batráquio, em volta do qual, por toda a casa, fomos dispondo outras réplicas de sapos e salamandras, em jeito de séquito ou população governada. Fala pouco, sua alteza. Suspeito que jamais nos poderá dizer ao que veio, que ente é. Quando abre a boca é não mais que para repetir, quase ipsis verbis, uma frase ali mesmo formulada, ou para plagiar uma ideia por nós trocada e discutida. Estranha eloquência, aquela.
Creio porém ter já percebido a sua natureza última, se é que não é absolutamente descabido dizer tal coisa de uma figura assim letárgica e sintética. É que faz algum sentido esta suspeita que guardo dentro, até agora inconfessada. Não é rei batráquio outra coisa que uma imagem do nosso amor conjugal, e de tudo o que isso inclui de beijos, juras e sentimentos. Se pela metáfora todos os dias se transmitem e descrevem emoções e arrebatamentos, porque não haveria o amor de se materializar de vez em quando em pedra, objecto, animal, em vez de poema, verso ou palavra? Porque não um sapo reinante em vez de um suspiro ou um silêncio. Sim, julgo que ele é mesmo o amor desta casa, e o amor que um dia levaremos connosco para outro lugar. Não faz uso de extensas palavras e reina sempre sobre todas as coisas à volta.
terça-feira, novembro 23, 2010
Sozinhos
... No, it is impossible; it is impossible to convey the life-sensation of any given epoch of one's existence - that which makes its truth, its meaning - its subtle and penetrating essence. It is impossible. We live, as we dream - alone...
Joseph Conrad, Heart of Darkness (1902)
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