Uma apresentação do livro será em breve anunciada. Fiquem atentos.
quarta-feira, julho 22, 2009
Também a memória é algum conhecimento
Uma apresentação do livro será em breve anunciada. Fiquem atentos.
sexta-feira, julho 17, 2009
Portuguesia - Apontamentos 2
O encontro terá início nessa mesma noite na Casa de Camilo em Seide S. Miguel. Ou melhor, no espaçoso e recente edifício do Centro de Estudos Camilianos, uma vez que a casa do bom prosador fica, em rigor, do outro lado da estrada, estando de igual modo aberta ao público para visita. Antes do início dos trabalhos, passamos de rajada pelo Centro onde temos a oportunidade de passar os olhos por uma interessante exposição acerca das mulheres na vida de Camilo, cada qual especial à sua maneira. Culminando todas essas arrebatadoras e atribuladas relações, teria tido Camilo em Ana Plácido uma admirável síntese de tudo quanto um homem procura numa mulher. Segundo consta, claro. Seguimos depois para jantar ali bem perto.
Os poetas reúnem-se à mesa e atacam as entradinhas. À minha esquerda começam a ser tecidas considerações e revelações sobre Eugénio. Sorrio perante algumas histórias e fico boquiaberto com outras. Pouco depois ganho coragem e peço ao simpático empregado que mude a televisão para o hóquei em patins. Alguns poetas aderem. Ouço alguém falar do génio de Livramento, mais ou menos na mesma altura em que no ecrã começa a desenhar-se a derrota das lusas cores. Fico com pena.
Olho para o relógio. Já são horas de dar início ao Portuguesia e estamos nós ainda a iniciar o segundo prato que, se querem mesmo saber, consiste de uma mista de carne grelhada acompanhada das guarnições da praxe. O poeta A.B. classifica o feijão preto de demasiado salgado. Vem-me à cabeça que, no Brasil, semelhante adjectivo poderia querer dizer "caro", "dispendioso". Já "quente" ou "escaldante" seriam possíveis qualificações para as discussões desse serão, como aliás daremos conta já de seguida.
terça-feira, julho 14, 2009
Amanhã e depois. Os poetas apresentam-se


Duas oportunidades, portanto, de conhecer coisas assim tipo meio maradas, estão a ver? É de surgir por lá aos cachos gigantes, rapaziada!
segunda-feira, julho 13, 2009
Portuguesia - Apontamentos 1
Dia soalheiro, propício para uma descansada viagem. Falamos de livros, trabalho, família. Suponho que a isto se chama conhecer-se melhor. Sim, estamos a conhecer-nos melhor. R.V. é sem dúvida um óptimo conversador. O tempo passa rapidamente e quando damos por nós estamos já a uma dúzia de quilómetros da sempre invicta cidade. Almoçamos nos Carvalhos e comentamos o bom ambiente e simpatia de preços do restaurante escolhido. Entrecosto-me na brasa e bebo uma cerveja.
Rumamos depois para o Minho e quando por lá se entra é difícil ficar indiferente à paisagem verdejante, ao ambiente de certa intimidade rural, acolhedora e tranquila. O milho alto, a vibrar à luz da tarde, as extensões de vinha (gostamos que haja imensas e para todo o sempre), as estradas muradas. Paira no ar aquele clima de verão setenterional, a um mesmo tempo fresco e luminoso, entremeado de brisas quentes e já com todos os incansáveis preparativos de festas populares, à espera de filhos pródigos e familiares longínquos.
Estamos já às portas de Vila Nova de Famalicao, onde terá lugar a apresentação do ambicioso projecto Portuguesia. Com duas horas ainda para gastar antes de darmos entrada no hotel, paramos às portas da cidade para uma breve visita à bonita igreja de São Tiago das Antas (foto), onde R.V. me presenteia com toda a sua sabedoria em matéria de arte sacra, conhecimento esse que eu próprio já atestara durante leitura do seu bilingue El Lugar, La Imagen (2006), o primeiro livro que das sua mãos recebi. Tiramos umas fotografias e pomo-nos a caminho do nosso primacial objectivo de visitantes em Famalicão: a Fundação Cupertino de Miranda, pois claro.
Aí sabemos ir encontrar um importante espólio do surrealismo luso e não somos com efeito defraudados. O edifício, só por si, é já merecedor de uma observação atenta, com aquele enorme torreão, dominando toda a central praça (foto). Somos recebidos por uma simpática senhora e acedemos à exposição sem pagar: desenhos de António Maria Lisboa e Mário Henrique Leiria, figuras a quem eu jamais conhecera qualquer veia de artistas plásticos, mas suponho que naqueles anos de desenfreadas experiências estéticas nenhum campo artístico pudesse estar vedado. Encontramos também desenhos, pinturas e colagens de todos os principais nomes da época. Ao vaguear pelas várias salas da fundação-museu, curiosamente dispostas em espiral ascendente, vamos trocando algumas observações: a crueldade da família de António Maria Lisboa, por sempre ter reprimido o génio do rebelde rebento; as acusações a Cesariny pela deturpação da obra de António Maria e outras atitudes menos dignas; e também a dificuldade de R.V. em adquirir o volume de poesia de Pedro Oom, editado pela &etc e impossível de encontrar.
Saímos uma horita depois. Decido não comprar o belíssimo catálogo do espólio da Fundação, tendo em conta que não é propriamente barato e que o verão exigirá de mim ainda umas massas valentes. Ah, o vil metal, sedutor e ruinoso. Rumamos ao hotel para nos encontrarmos com os restantes versejadores, desejosos já de rever o poeta W.S., o grande responsável pelo Portuguesia.
sábado, julho 04, 2009
Portuguesia - Festa da Poesia Lusófona

Serão dois dias de diálogos e leituras, com a presença de cerca de dezenas de poetas de expressão portuguesa. Pelo meio, a apresentação do livro e filme que resultaram de largos meses de pesquisas "antropológicas", nas quais o Wilmar empenhou toda a sua sensibilidade e afecto pela palavra escrita.
Para uma ideia do que por lá se irá passar, consultai aqui o programa das festas. E aqui uma entrevista concedida pelo Wilmar, onde se dá conta do ambicioso projecto.
quinta-feira, junho 25, 2009
Errata
- Logo na primeira página, precisamente na primeira linha, onde se lê era
uma vez..., leia-se finalmente...
- Na página catorze, na linha quatro, onde se lê quadro, leia-se quarto.
- Na página seguinte, na linha oito e meio, onde se lê por meio de, leia-se
no meio que.
- Quase na página trinta, na linha férrea, onde se lê tanto mar, leia-se pouca
terra.
- Na página rasgada, na linha de fogo, onde se lê forca, leia-se força.
- Numa página inexistente, na linha do horizonte, onde se deveria ler, leia –
- se mesmo.
- Na página do meio, na linha do equador, onde se lê em paralelo, leia-se
em diagonal.
- Na página obscura, nas entrelinhas, onde se lê fode-se, leia-se pode-se.
- Na página solta, na linha terra, onde se lê chão, leia-se cãho.
- Numa página distante, na linha do pensamento, onde se lê não penso,
leia-se mas existo.
- Ao virar da página, na linha do infinito, onde se tem muito que ler, leia-se
o muito que se tem.
- Na página em branco, na linha do imaginário, onde não se lê, não se leia.
- Numa página perdida, numa linha ao acaso, onde se lê mesmo assim, leia-
- se assim mesmo.
- A páginas tantas, na linha com que cada um se cose, onde se lê entrevista-
- se, leia-se entredispa-se.
- Na última página, mesmo na última linha, onde se lê finalmente..., leia-se
era uma vez...
terça-feira, junho 16, 2009
Bem sei
sábado, junho 13, 2009
quinta-feira, junho 11, 2009
Cantina

sexta-feira, junho 05, 2009
Tokalon




sábado, maio 30, 2009
Relíquia boa

Desencantei O Canto no Acaso (1984), quinto título do desconcertante Rui Nunes (abri-vos, ó cânones da prosa pátria), num insuspeito pouso de venda da feira da ladra. Cinquenta cêntimos, propôs-me a ambulante senhora. Aceitei num ápice. Levei-o para casa. Uma belíssima publicação das Edições Rolim e número inaugural da colecção "A Hora do Lobo". As ilustrações povoam o volume inteiro e são um mimo. Começa assim:
Os insectos à volta das laranjeiras, as flores que tombam sobre a mesa de pedra, carnudas pétalas, há o crepitar de uma sombra frágil nas umbelas dos agapantos, refúgio de abelhas que tecem no ar vertigens consistentes, Marie pensa: os tempos da infância tinham ruas largas orladas de amoreiras e frutos carmesins que tornavam o Verão escorregadio, sangue expectorado nos passeios de calcário e no verde adjacente das ervas, havia um zumbido de vespas e moscas, patinhava-se um creme peganhento que deixava manchas no algodão das meias, era assim Julho de minúsculos indícios, de riachos que a transparência das folhas tornava quase frios, os frutos caíam na erva e exalavam um apodrecer mirrado como o cheiro do chá, enquanto a serra transformava o amarelo em hálito, era a época claríssima da flor do tojo.

quarta-feira, maio 27, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
Rapaz novo
Retomo a minha marcha lenta, atarantado com tamanho erro de julgamento da minha parte. Assisto ainda, pelo canto do olho, a uma beijo na boca entre a parideira de meia-idade e o seu suposto marido, que ainda continua a parecer-me um miúdo de escola, com aquele seu ar de primeira comunhão. Penso para mim que acabei de trocar umas palavras com o ser mais novo que alguma vez pisou a face da terra.
quarta-feira, maio 20, 2009
Disco décimo
segunda-feira, maio 18, 2009
Apontamento de língua
- Condições materiais e logísticas: o acto sexual seria efectivado se o falante tivesse dinheiro para pagar à fêmea em questão, se tivesse fracção ou lugar de automóvel onde levar a cabo o coito, se tivesse disponibilidade de tempo para o acto, etc.
- Condições físico-psicológicas: o acto sexual seria efectivado se o falante tivesse um aparelho genital em razoáveis condições de desempenho ou se não fosse demasiado tímido ou inseguro para abordar a fêmea em causa com vista ao coito.
- Condições morais e sociais: o acto sexual seria efectivdo se o falante não fosse já comprometido ou, no mesmo caso, se pudesse ser de algum modo garantido o sigilo relativamente à materialização do acto.
sábado, maio 16, 2009
quinta-feira, maio 14, 2009
Karinna Alves Gulias

Uma mãe feita para criar bois [espelhados],
administrar a base da terra para a permanência.
Fez um filho com a massa negra da noite.
Uma mãe feita para criar bois [gigantes]
e aumentar a sua sombra.
Acendeu velas
para o dia em que seria dona de cria.
Com o movimento,
seu nome mudou-se para outra casa;
pertence a outro número. A outro ofício.
Na mudança:
- De todos os rios por que passou,
ficou-lhes terços de seu cabelo, agora branco,
como espuma de mar.
À noite os rios a visitavam e derramavam
transparências em seu peito. De seu ventre, então,
nasceram cabelos de estrelas e espumas de mar. -
Mais uma vez seu nome foi mudado de casa,
até a vontade se retrair.
Seus cabelos caíram e o nome passou a ser:
poca sombra
e por fim
Nasceu um menino.
domingo, maio 10, 2009
Lido e Relido

Enquanto faço a cama, arrumo a cozinha e dobro a roupa, vou ouvindo este maravilhoso programa. Gente que gosta de livros, à conversa com uma das minhas vozes de rádio preferidas. Cena tótil. Aqui.
quinta-feira, maio 07, 2009
O mentiroso

(o escritor brasileiro Moacyr Scliar, em depoimento autobiográfico ao último número do Jornal de Letras)


