sexta-feira, abril 10, 2009
McTeagle ou a natural propensão do artista para a recorrência de motivos
quarta-feira, abril 08, 2009
Querela & Bicicleta

Quis o simpático destino que nos últimos tempos eu fosse presenteado com exemplares de duas revistas que suspeito pouco conhecidas da maioria dos habituais leitores de periódicos. Publicações, entenda-se bem, pouco ou mal alinhadas com os convencionalismos do periodismo tradicional, tanto pelo domínio de trabalho (em termos genéricos, o campo da criação ou creatividade artística) como pela atitude que ambas partilham, a saber, a provocação e, em larga medida, o desafio estético de linhagem surrealista.
Com apenas um número até à data (facto que lhe vai garantindo provisoriamente o estatuto de inestimável relíquia) a Querela é editada na cidade invicta e chegou-me até às mãos pela gentileza do seu principal paridor, Ricardo Castro, que lhe preenche também algumas páginas com palavra e notável ilustração.
Já a Bicicleta, da qual recebemos o número nono, é dirigida pelo indomável Bruno Vilão e apresenta-se como propriedade do centro de cultura e pesquisa de arte de nome Mandrágora. Contando com a participação de autores tão insignes como Almeida e Sousa, Fernando Aguiar ou Nicolau Saião, destacam-se neste número, entre outras pérolas, os poemas visuais de rebelde inspiração. Reproduzimos abaixo o "estado febril" do supracitado Vilão.

sexta-feira, abril 03, 2009
Indivisível: segunda apresentação
quinta-feira, abril 02, 2009
quarta-feira, abril 01, 2009
domingo, março 29, 2009
quinta-feira, março 26, 2009
Livro ao calhas. Página 161. Quinta frase

segunda-feira, março 23, 2009
Indivisível - Poesia sonora na Trama

sexta-feira, março 20, 2009
A poesia explica-se (ocultando-se). Um poema de Ana Cristina César
Os gêneros de poesia são : lírico, satírico, didático, épico, ligeiro.
O gênero lírico compreende o lirismo.
Lirismo é a tradução de um sentimento subjetivo, sincero e pessoal.
É a linguagem do coração, do amor.
O lirismo é assim denominado porque em outros tempos os
versos sentimentais eram declamados ao som da lira.
O lirismo pode ser:
a) Elegíaco, quando trata de assuntos tristes, quase sempre a morte.
b) Bucólico, quando versa sobre assuntos campestres.
c) Erótico, quando versa sobre o amor.
O lirismo elegíaco compreende a elegia, a nênia, a endecha, o epitáfio e o epicédio.
Elegia é uma poesia que trata de assuntos tristes.
Nênia é uma poesia em homenagem a uma pessoa morta.
Era declamada junto à fogueira onde o cadáver era incinerado.
Endecha é uma poesia que revela as dores do coração.
Epitáfio é um pequeno verso gravado em pedras tumulares.
Epicédio é uma poesia onde o poeta relata a vida de uma pessoa morta.
terça-feira, março 17, 2009
Green Tone Bits. Segundo andamento

Na página do Green Tone Bits poderão inteirar-se melhor do conceito e ambições do projecto. Disponível para download está também a playlist da primeira sessão, na qual pude eu próprio, a dada altura, testemunhar os uivos e espasmos de alma suscitados por tamanha orgia musical. Não faltai, por conseguinte, a esta segunda sessão, a ter lugar no bar Ogâmico (ao Príncipe Real, ou um pouco mais abaixo), já esta quinta-feira (dia 19), entre as 22:00 e a 1:00. Acorrei aos magotes, sedentos de fulgurantes sonoridades. Eu já lá estou!
segunda-feira, março 16, 2009
That's Amore

Odi et amo
You disgust me. I
love you. I.
Stop. asking. questions.
I.
Leave. me. alone.
sitting naked together
on the edge of the bed
drinking vodka
this my first real love scene
your body so good
your eyes sad love stars
but john
now when we´re miles apart
the come-down from mountain visions
and the streets all raining
and me in the back of a shop
making free phone calls to you
what can we do?
crackling telephone wires shadow me
and this distance haunts me
and yes – I am miserable
and lost without you
whole days spent
remaking your face
the sound of your voice
the feel of your shoulder
segunda-feira, março 09, 2009
O culto das mercadorias, ou como pode nascer uma religião
One famous cult on the island of Tanna (...) is still extant. It is centered on a messianic figure called John Frum. (...) It is not known whether he ever existed as a real man. (...) He made strange prophecies, and he went out of his way to turn the people against the missionaries. Eventually he returned to the ancestors after promising a triumphal second coming bearing bountiful cargo. (...) Most worryingly for the government, John Frum also prophesied that, on his second coming, he would bring new coinage, stamped with the image of a coconut. The people therefore got rid of all their money of the white man's currency. In 1941, this led to a wild spending spree; the people stopped working and the island's economy was seriously damaged. (...) In the 1950s, Attenborough (...) met the high priest [of the cult], a man called Nambas. Nambas referred to his messiah familiarly as John, and claimed to speak to him regularly by "radio" (...) which consisted of an old woman with an electric wire around her waist who would fall in a trance and talk gibberish, which Nambas interpreted as the words of John Frum.(...)
It is believed that the day of John Frum's return will be February 15th, but the year is unknown. Every year on February 15th his followers assemble for a religious ceremony to welcome him. So far he has not returned, but they are not downhearted. (...) [One cult devotee] says, "If you can wait two thousand years for Jesus Christ to come an' 'e no come, then I can wait more than nineteen years for John".
quinta-feira, março 05, 2009
Ruy Ventura traduzido nos Estados Unidos
Ruy Ventura reside e trabalha no concelho de Sesimbra, onde é professor. Publicou, em poesia, Arquitectura do Silêncio (Lisboa, 2000; Prémio Revelação de Poesia, da Associação Portuguesa de Escritores), sete capítulos do mundo (Lisboa, 2003), Assim se deixa uma casa (Coimbra, 2003), Um pouco mais sobre a cidade (Villanueva de
domingo, março 01, 2009
Um plano
Estávamos os quatro à mesa, num momento de paleio profundo pós-jantar. Suponho que o arroz de peixe acompanhado de uma razoável garrafa de vinho propicie este tipo de reflexões, a saber, projectos futuros, o que fazer de válido, de minimamente relevante com os anos que ainda restam. Foi aí que ele disse que por agora iria continuar com a sua vida normal, com a rotina de trabalho. Mas fez questão de acrescentar que não o tencionava fazer para sempre. Era só para poder um dia retirar-se e “poder começar a descobrir o que é que realmente se passa por aí.” Assim o disse textualmente, numa formulação das mais felizes que alguma vez ouvi aplicar a essa fundamental tarefa de qualquer ser humano que se interroga, que se inquieta com a penumbra em que vivemos envoltos. Parar um pouco. Mandar até um pouco o trabalho às urtigas. Começar por fim a examinar, ainda que sob o risco do absoluto insucesso, que vis engendramentos ou verdades luminosas se ocultam sob a superfície. Belíssima ideia.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Cavalo de Tróia. Imagem do mundo

Timalco viu-os trabalharem durante muito tempo antes de se retirar invadido por dúvidas. Enquanto andava, sentiu-se acometido por um vago temor que não soube interpretar. Se a construção tinha a aparência de uma extravagante máquina de guerra própria para um cerco, o que planeava fazer com ela Odysseus? Que nova artimanha urdia? Estremeceu, inquieto. As traições do senhor de Ítaca foram a causa da morte de Palamedes e Ájax, e quase o foram da de Diomedes. Por sua culpa, aqueles dois nobres heróis acompanhavam agora Pátroclo, Heitor e Aquiles na sua escura morada além do rio dos mortos. Todos aqueles admiráveis combatentes, mortos em tão pouco espaço de tempo, provavam-lhe que a boa ou má fortuna nada tinha a ver com o mérito ou a virtude; que na vida, Themis, a deusa da justiça, nem sempre favorece os melhores. Talvez fosse sinal dos tempos, pensou. Talvez os homens de valor estivessem a acabar para que uma nova estirpe reinasse em seu lugar. Uma raça perversa, como era a de Odysseus, cuja força residisse não no coração mas na cabeça. Que valorizasse mais a palavra do que os actos. Os seus adeptos apreciariam o engano menosprezando a honra, e o combate leal seria substituído pela mentira, pela falsidade e pela astúcia. Já não haveria batalhas em campo aberto, os vencedores espreitariam na sombra. E seriam eles, no fim, que, aproveitando a rectidão e a pouca malícia dos seus inimigos, governariam a terra.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
domingo, fevereiro 15, 2009
Namora

quarta-feira, fevereiro 11, 2009
À morte do Sr. José Nogueira Vaz Monteiro
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Arrombamento e roubo

Na noite de 31 de Outubro findo, os gatunos entraram por meio de arrombamento no estabelecimento comercial do Snr. Ramiro Pires Filipe, nesta vila, donde levaram vários artigos, como camisas de populine, de lã, calçado, pull-overs para homem, camurcins, um capote, todo o tabaco que encontraram e cinquenta escudos em dinheiro que estava na caixa registadora e que ali tinha ficado para trocos. Adivinha-se que os gatunos procuravam apenas dinheiro, pois que, encontrando-se num estabelecimento tão importante, poderiam fazer uma verdadeira razia. Esta circunstância leva-nos a crer que os gatunos não deviam ser de longe. Foram detidos para averiguações vários indivíduos de quem se suspeitou, os quais sairam em liberdade por nada se ter apurado contra eles. O roubo deve ter sido praticado depois das 2 horas da madrugada, hora a que se apaga a iluminação pública, tendo os gatunos forçado um grosso cadeado de uma das portas que dá para a estrada da Estação e arrombado, provavelmente com um pé de "cabra", uma potente fechadura.






