
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
domingo, fevereiro 15, 2009
Namora

quarta-feira, fevereiro 11, 2009
À morte do Sr. José Nogueira Vaz Monteiro
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Arrombamento e roubo

Na noite de 31 de Outubro findo, os gatunos entraram por meio de arrombamento no estabelecimento comercial do Snr. Ramiro Pires Filipe, nesta vila, donde levaram vários artigos, como camisas de populine, de lã, calçado, pull-overs para homem, camurcins, um capote, todo o tabaco que encontraram e cinquenta escudos em dinheiro que estava na caixa registadora e que ali tinha ficado para trocos. Adivinha-se que os gatunos procuravam apenas dinheiro, pois que, encontrando-se num estabelecimento tão importante, poderiam fazer uma verdadeira razia. Esta circunstância leva-nos a crer que os gatunos não deviam ser de longe. Foram detidos para averiguações vários indivíduos de quem se suspeitou, os quais sairam em liberdade por nada se ter apurado contra eles. O roubo deve ter sido praticado depois das 2 horas da madrugada, hora a que se apaga a iluminação pública, tendo os gatunos forçado um grosso cadeado de uma das portas que dá para a estrada da Estação e arrombado, provavelmente com um pé de "cabra", uma potente fechadura.
domingo, janeiro 25, 2009
Desastre
Quando ha dias o menino Eduardo Morgado Figueira filho do nosso presado assinante, Sr. Eduardo Figueira, da estação desta vila, andava de bicicleta, foi embater violentamente com uma árvore de que resultou receber graves ferimentos nos intestinos, com saimento destes. Conduzido à Casa de Saude, de Abrantes, onde lhe prestaram os devidos socorros, ali ficou internado por ser muito grave o seu estado. Desejamos-lhe rápidas melhoras.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Assassínio e roubo

No dia de Ano Bom, no lugar da Marouca, subúrbios da vila de Montargil, deste concelho, deu-se um revoltante crime de tentativa de assassinato e roubo que, pelas trágicas circunstancias em que foi cometido, bem revela a extraordinaria audacia e ferocidade de quem nele tomou parte,
Antonio Fouto, casado, proprietario, morador naquele lugar, é um indivíduo que tem fama de possuir dinheiro. Sua mulher encontra-se ha bastante tempo internada num hospital e o Fouto, vivendo quási só, costumava deitar-se bastante cedo. Encontrando-se já recolhido, sentiu bater à porta; e, julgando ser algum dos seus filhos, levantou-se para abrir.
Imediatamente três meliantes que se encontravam na rua, lançaram-se sobre ele, agredindo-o à machadada, sem que o Fouto podesse esboçar qualquer defesa, lançando-o por terra a jorrar abundante sangue. Supondo-o morto, os assaltantes percorreram os cantos da casa encontrando apenas uma nota de cem escudos que a victima tinha no bolso falso do casaco. Em seguida ataram uma corda ao pescoço do Fouto, arrastando-o a distancia, e ali um dos facinoras disse a um dos companheiros que lhe cortasse o pescoço. Munido de uma faca o outro bandido vibrou um golpe no pescoço do Fouto. Por felicidade a faca apenas cortara a grossa corda que apertava o pescoço da vítima, circunstancia em que os meliantes não repararam, certamente por a noite estar escura e supondo terem morto o Antonio Fouto, desapareceram.
Voltando a si passado algum tempo, a victima gritou por socorro, tendo os seus gritos sido ouvidos por Manoel Alves e Gabriel Fernandes, do Telheiro, que regressavam a suas casas. Transportado ao Hospital de Montargil, o ferido foi ali tratado pelo Snr. Doutor Amandio Lourenço Falcão da Luz que lhe suturou os ferimentos com 17 pontos. Felizmente estes não são de gravidade e o ferido encontra-se melhorando.
O caso foi participado às auctoridades, estando a proceder a investigações o agente Nunes de Almeida, da Polícia de Investigação Criminal de Lisbôa.
Foi detido como um dos supostos auctores de tão nefando crime, Monoel Gomes, por alcunha o Manelão, o qual ao ter conhecimento que a Polícia lhe estava passando uma busca em sua casa, correu a ela em atitude ameaçadora, munido de uma machada, tendo sido necessario para o conter em respeito, o agente puxar de uma pistola, ao mesmo tempo que a mulher intervinha, segurando-o.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Tragédia em Aljustrel
Segunda-feira. Passo umas horas na desconfortável Hemeroteca de Lisboa, cheia de mofos e algumas caras menos simpáticas. Estou à procura de três periódicos, e é evidente que só acabo por encontrar um deles: A Mocidade (Quinzenário Regionalista de Grande Expansão), editado na segunda metade da década de 1930, em Ponte do Sôr. Folheio as débeis páginas, já em avançado estado de amarelecimento, na certeza de por aí encontrar uns poemas soltos (Álvaro Feijó, Manuel da Fonseca) e uma ou outra entrevistazinha mais interssante para as minhas investigações. Os tectos trabalhados da Hemeroteca estão a cair aos bocados. Tenho pena. O edifício até não deixa de ser jeitoso. A luz é porém daquelas esguias e brancas, de fazer aleijar a vista, imprópria para o desejado estado de afinco intelectual. Ao passar os olhos pelos vários números do quinzenário, vão desfilando diante de mim algumas notícias violentas, relatos de episódios trágicos, desgraças inomináveis num país aparentemente nada pacato. Passamos a reproduzir aqui em semi-facsímile (com transcrição por nosso punho, dada a ilegibilidade da imagem) alguns desses desaires da humanidade regional, começando por um crime passional ocorrido em 1939, na mineira vila de Aljustrel. Mais do que o facto propriamente dito, já de si digno de nota, sublinha-se a linguagem do jornalista, plena de indignação e com um certo pendor para o romanesco.
A pacata vila de Aljustrel, foi, na passada terça-feira, 28, teatro de uma lamentável tragédia que emocionou a população desta laborioso vila alentejana. Foram dela protagonistas a costureira Natividade Bertral, solteira, de 27 anos, e o Snr. Francisco Barão Carapinha Junior, também solteiro, de 31 anos, desenhador da Companhia de Minas daquela vila e estimado correspondente dêste jornal.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
José Gomes Ferreira e os Lírios do Monte

segunda-feira, janeiro 12, 2009
Poetas antigos, versos desconhecidos (5)
E embora a ideia custe,
Inútil serás
Que deixarás nele cumprir-se a lei de Proust.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Today I am going to kill something. Anything

I am a genius. I could be anything at all, with half
I pour the goldfish down the bog. I pull the chain.
I see that it is good. The budgie is panicking.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Iluminações
quarta-feira, dezembro 31, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
Tori Amos em BD


A título de pura ornamentação, reproduzimos a primeira página da história inspirada em Winter, que apesar de pertencer ao já longínquo album de estreia de Tori Amos, continua a ser uma das minhas músicas preferidas.
A capa da edição limitada do single em questão é por causa do António, esse monstruoso parideiro e disseminador de informação cultural. Foi ele quem me ofereceu o disquinho, já lá vão seguramente uns cinco ou seis anos.
Não tem grande razão de ser esta entrada, ainda que o Inverno de Tori sempre me tenha sugerido uma atmosfera potencialmente natalícia. O que eu queria é que ela soubesse o quanto a aguardam alguns bons fãs portugueses, que a estas paragens nunca a viram chegar.
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Ruído Luminoso: Quatro Poetas Portugueses
O número 40 da sèrie Alfa, revista electrónica catalã da responsabilidade do aqui já mencionado poeta e tradutor Joan Navarro, é dedicada a quatro poetas portugueses contemporâneos.Luís Filipe Cristovão, Joaquim Costa Dias, Vasco Gato e João Miguel Henriques juntaram-se com duas composições cada um, sob o título "Ruído Luminoso". Há traduções em catalão, espanhol, francês e inglês. O trabalho fotográfico é do brasileiro Valdir Peyceré. Aqui.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Quinto Aniversário

sexta-feira, dezembro 05, 2008
Abreu Paxe
Em sexo livre a língua
entre as trevas e a seiva da sintaxe abundam palavras
inofensivas nada dizem à pátria por imitação os impérios
renovam os aspectos os tempos os modos
outro soldado emergia
unia a habitação a fonética e a fonologia ao sol de casa
pirâmides e intervalos o corpo cego texto
regenera cidades por visitar falida interacção
as meninas árvores nocturnas com portas e janelas polares
tudo treme sobre o papel a mesma travessia despersa tudo
De certo modo os destroços palavras
de igual modo as partículas invariáveis traços lábias
sempre há uma mulher no mal
por isso trepo meu olhar pelas paredes e pelo tecto
o último cruzar de pernas
zona prestigiada o eixo compreendia o acento de intensidade
juntos todos os sentidos no modo algum tempo exacto
sem esquecer na via erudita expressão
o étimo uma mesa com o portal aberto
outro reino de certeza
a comunicação oficial adoptou o berço lìngua lençol
tanto tempo sonorizado
estava inscrito nas fronteiras este período
das alíneas funções sintácticas
diferenças dos pares vocabulares
nascem outras partículas variáveis destroços




