não,
não estou aqui à espera que alguém me abrace
não estou sentado no velho banco a ver a gente que passa
não vim aqui para ler um livro
sequer para escrever estas linhas
não me plantei por entre estas árvores
por não ter outro espaço onde ficar sozinho
não estou aqui a pensar na vida
como é costume fazer-se em jardins
não vim assustar os pombos
ou as crianças pequenas
vim para me banhar do cheiro dos troncos largos
para apanhar sol e ar na minha face
e constatar se sempre é possivel
algumas nuvens se assemelharem a coisas terrenas
segunda-feira, maio 16, 2005
sábado, abril 30, 2005
segunda-feira, abril 25, 2005

A vida daquele indíviduo, assim espalhada nas longas páginas, plena de fantasiosas peripécias e profundas tiradas de alma, despertara nelas um interesse raro e genuíno. Em tudo semelhante àquela honesta curiosidade com que a criança encara pela primeira vez o fogo ou com que o moribundo entrevê a dimensão da eternidade.
sexta-feira, março 04, 2005
La era está pariendo un corazón
Le he perguntado a mi sombra
A ver como anda para reirme
Mientras el llanto con voz de templo
Rompe en la sala regando el tiempo
Mi sombra dice que reirse
es ver los llantos como mi llanto
y me he callado desesperado
Y escucho entonces: la tierra llora
La era está pariendo un corazón
No puede más, se muere de dolor
Y hay que acudir corriendo
Pues se cae el porvenir.
A cualquier selva del mundo
A cualquier calle.
Debo dejar la casa y el sillon.
La madre vive hasta que muere el sol
Y hay que quemar el cielo
Si es preciso por vivir.
Por cualquier hombre del mundo
Por cualquier casa.
Por cualquier casa...
A ver como anda para reirme
Mientras el llanto con voz de templo
Rompe en la sala regando el tiempo
Mi sombra dice que reirse
es ver los llantos como mi llanto
y me he callado desesperado
Y escucho entonces: la tierra llora
La era está pariendo un corazón
No puede más, se muere de dolor
Y hay que acudir corriendo
Pues se cae el porvenir.
A cualquier selva del mundo
A cualquier calle.
Debo dejar la casa y el sillon.
La madre vive hasta que muere el sol
Y hay que quemar el cielo
Si es preciso por vivir.
Por cualquier hombre del mundo
Por cualquier casa.
Por cualquier casa...
Silvio Rodríguez cantado por Soledad Bravo
quinta-feira, março 03, 2005
Nove
Estão dois homens fardados a dez metros de uma encruzilhada deserta. Cada um traz uma espingarda suja da poeira da estrada. E um cantil de água morna, transportado à tira colo. Foi-lhes construído há mês e meio aquele ponto de vigia cansado. Um albergue apertado, erguido a madeira e pregos, embandeirado no topo, ausente. Matam o tempo a esquivar-se ao medo e ao silêncio. Conhecem de cor a paisagem. Partilham os parcos mantimentos e pela noite acendem juntos um fogo inocente. Há dois dias que os rádios deixaram de emitir instruções. Há dois dias que nada sabem da cidade ou do futuro. Encontram-se a dez metros da encruzilhada. Fardados e escassos de munições. Um deles limpa o suor do rosto e por momentos repara na cor esbatida do horizonte. Amanhã pelo entardecer começarão a ouvir uns tiros ao longe, vindos do lado da cidade. E misturados com o som das balas, os grãos de poeira levantados pelo vento contra casebre. Irão recolher-se ao refúgio para limpar as espingardas e carregá-las de medo.
quarta-feira, março 02, 2005
Bambi
mais vale no forno
regado por
tinto encorpado
do que em filme
ou desenho ilustrado
regado pelas lágrimas
pelo olhar incrédulo
das nossas crianças
regado por
tinto encorpado
do que em filme
ou desenho ilustrado
regado pelas lágrimas
pelo olhar incrédulo
das nossas crianças
terça-feira, fevereiro 22, 2005

Haviam concluído durante a viagem que as causas da inevitável indeterminação da natureza humana residiam acima de tudo no próprio ser e não em qualquer fundamental deficiência do corpo teórico utilizado para a apreciação do problema em questão. Mais do que alívio ou entusiasmo, esta conclusão deixara neles um desconforto cruel, uma apreensão indizível.
sábado, fevereiro 19, 2005
I'm thinking about the future. Our children will imagine us great heroes, and will create legends about us. And even our ordinary daily existence and our hunger, the forced idleness in production, even the watch you and I are keeping tonight - all will be raised to a higher power, as they say in mathematics. It will all be reflected in their imagination as an epoch of heroic exploits and titanic achievements. And we - you and I - little grains of dust in an immense mass, we shall seem to them as giants. The past is always generalised and exaggerated. They won't remember our mistakes, cruelties, failures, weaknesses, our simple human sufferings and our damnable problems. They will say: "These were the people who were destined to conquer the whole world." And they will visit our graves as if we were inextinguishable beacons.
Fyodor Vasilievich Gladkov, Cement
quinta-feira, dezembro 09, 2004
O Segredo e a Verdade (Conclusão)
7. O lugar da verdade é absolutamente secreto. Só o segredo é absolutamente verdadeiro. Gerações sucedem-se e a verdade de todas as verdades permanece inabalável porque secreta. Se não nos é acessível então é porque concerteza contem a explicação de todas as coisas. Todas as simbolizações ou asserções críticas da pequenez humana baseiam-se em premissas deste género. O lugar da verdade (origem, autoridade, conteúdo) é absolutamente incorpóreo. A noção absolutamente fantástica de que o nosso pensamento depende intimamente de processos exclusivamente biológicos é prova disso mesmo. E isto porque o pensamento é incapaz de nos conduzir à maior de todas as revelações. A correlação tantas vezes sublinhada entre espírito e matéria, apesar de abismal e misteriosa (há células que pensam!), leva-nos a pensar que não fora o corpo e há muito que teríamos já deslindado o enigma subjacente a todos os enigmas. Os relatos de experiências post-mortem constituem algo cujo valor não parece seduzir a maioria das pessoas. É razoável depreender que os nossos pequenos jogos de linguagem e representação resultam numa diversão bem mais atractiva. Caso a esfera de valores ocidentais não permeasse de forma tão avassaladora o nosso comportamento crítico, as experiências post-mortem seriam neste momento o assunto central das mais crucial das disciplinas. Por entre relatos vagos e reticentes (a linguagem é neste contexto um instrumento escasso dada a sua natureza anatómica), duas ocorrências parecem ser comuns a todos os indivíduos sujeitos a semelhantes episódios: a alma liberta-se do corpo, movimentando-se em altura e deixando para trás a matéria; as coisas todas, da mais pequena dúvida ao problema mais enigmático, ganham um sentido inequívoco, simples e apaziguador. Como diz Bourdieu nas suas Rules of Art, "if there is a truth, it is that truth is a stake in the struggle", e quem sabe um generoso crédito a cobrar depois da morte.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
O Segredo e a Verdade (Cont. 6)
6. O segredo e a verdade poderão em alguns contextos ser tomados como conceitos opostos, designando dois estados mutuamente exclusivos do conhecimento humano. Para aquele que tem acesso à verdade não existe nenhum segredo suficientemente enigmático. Habitar um mundo de segredos como o nosso significa perseguir constantemente uma verdade apenas sonhada. O trajecto acidentado que conduz do mundos dos segredos ao mundo da verdade é algo que ainda apenas iniciámos. É no entanto assustador verificar que, apesar de descrentes e desconstrutivos, sacrificamos vidas e sanidade mental nesse caminho por vezes místico. À imagem de S. Paulo, ambicionamos percorrer essa redentora estrada de Damasco, a fim de poder cair do cavalo, perder a visão e descobrir a maior verdade de todas. Ironia das ironias, é preciso primeiro cegar para só depois poder ver plenamente.
Convém sempre realçar isto de crucial para nós: mesmo o mais radical dos guardadores de rebanhos esforça-se por alcançar algo a que confere o peso da verdade absoluta, a verdade de que a existência nada mais é que guardar ovelhas ou cabras.
sexta-feira, novembro 26, 2004
O Segredo e a Verdade (Cont. 5)
5. Duas pequenas imprecisões deverão ser convenientemente sublinhadas, caso queiramos de algum modo prosseguir neste território incerto. Ambas constituem exageros em extremos opostos. Seria por um lado algo ilusório afirmar que a toda e qualquer disciplina do conhecimento humano preside um desejo consciente de alcançar algo estável e universalmente verdadeiro. Tal como Julião, muitos hão já afastado de qualquer busca essa esperança de outrora, embora seja por vezes difícil distinguir o descrente do apenas desiludido. Por outro lado, afirmar peremptoriamente a inexistência da mencionada esperança em atingir alguma clarificação absoluta dos caminhos por onde penamos parece igualmente ilusório. Não é provável que o ser humano, enclausurado nesta ou naquela exclusiva disciplina, não acredite na origem ou legitimação primeira de qualquer asserção. Qualquer descrição do nosso mundo físico ou problematização das manifestações simbólicas do homem prevê necessariamente a existência, ainda que de uma perspectiva mais ou menos subjectiva, de aproximações mais coerentes que outras. E este incontornável grau de verdade, o qual todos acabam por desejar atribuir, só é passível de ser avaliado mediante alguma crença na verdade em si mesma.
Numa comunicação sobre assuntos de interdisciplinaridade e pós-modernismo, fui confrontado com uma passagem da obra Professional Correctness. Literary Studies and Political Change do hilariante Stanley Fish, palavras essas que poderão de algum modo ilustrar esta discussão. Trata-se da questão de uma verdade que, embora residindo no mais íntimo refúgio do nosso inevitável ser religioso, não poderá constituir oficialmente o fim visível do conhecimento humano, precisamente pelo facto de que jamais nos será possível identificar ou formular a hipótesse que pretendemos sujeitar a confirmação. A verdade existe e é absoluta. A ela aspiramos constantemente. Mas é um segredo a que em vida jamais teremos acesso, pelo que nos cabe caminhar sem destino em vista. Different forms of disciplinary work, rather than being co-partners in a single teleological and utopian task, are engaged in performing the particular tasks that would pass away from the earth were they to lose themselves in the name of some grand synthesis, be it the discipline of all disciplines or the truth of all lesser and partial truths.
Numa comunicação sobre assuntos de interdisciplinaridade e pós-modernismo, fui confrontado com uma passagem da obra Professional Correctness. Literary Studies and Political Change do hilariante Stanley Fish, palavras essas que poderão de algum modo ilustrar esta discussão. Trata-se da questão de uma verdade que, embora residindo no mais íntimo refúgio do nosso inevitável ser religioso, não poderá constituir oficialmente o fim visível do conhecimento humano, precisamente pelo facto de que jamais nos será possível identificar ou formular a hipótesse que pretendemos sujeitar a confirmação. A verdade existe e é absoluta. A ela aspiramos constantemente. Mas é um segredo a que em vida jamais teremos acesso, pelo que nos cabe caminhar sem destino em vista. Different forms of disciplinary work, rather than being co-partners in a single teleological and utopian task, are engaged in performing the particular tasks that would pass away from the earth were they to lose themselves in the name of some grand synthesis, be it the discipline of all disciplines or the truth of all lesser and partial truths.
quarta-feira, novembro 24, 2004
O Segredo e a Verdade (Cont. 4)
4. Parece natural que nas últimas décadas do passado século se tenha aventurado a hipótese de que a discussão no seio das ciências humanasnão passa de um jogo de linguagem, cujos efeitos para além do código utilizado mais não são que mistificações do nosso poder criativo. É bom que por momentos deixemos as ciências naturais, as quais na generalidade da sua tradição muito partilham da tradição de Julião Zuzarte. O jogo de que falámos é no entanto dos mais admiráveis exercícios aos quais o ser humano poderá algumas vez render-se. também no seu contexto se avançam perpesctivas e posições, na esperança de que estas, de forma inovadora e fundamentada, possam coadunar-se com o sonho daquilo que é verdadeiro acerca de nós próprios. Os segredos que não poderemos descobrir. Podemos batalhar séculos que não avançamos uma polegada. É porém esse o espírito que moldou o avanço dos séculos: mudança, continuidade. Alguém sabe o que somos?
segunda-feira, novembro 22, 2004
O Segredo e a Verdade (Cont. 3)
3. A busca de uma verdade primária é uma tarefa subjacente a qualquer problematização crítica, independentemente do objecto discutido. Seria talvez exagerado afirmar que certos objectivos insondáveis presidem explicitamente ao labor de um biólogo ou à leitura de um crítico literário. Estas actividades particulares, assim como quaisquer outras, possuem fins determinados, os quais, não obstante maior ou menor variação de metodologia ou foco de interesse, se incluem no alcance particular da actividade intelectual em causa. Do mesmo modo, também eu não insisto em saber a verdade de tudo enquanto cozinho o jantar ou compro o jornal pela manhã. No entanto, a asserção de determinadas opiniões ou a oficialização de leis científicas pressupõe a existência de uma verdade mais abrangente com a qual concordarão as nossas pequenas verdades. O pensamento humano (não acredito que isto seja uma generalização redutora) é intrinsicamente regulado pela crença numa forma verdadeira de ver as coisas e, em última instância, num princípio absoluto que tornaria perfeitamente válidas e aceitáveis as suas descobertas de circunstância. Mesmo aquele que não acredita numa causa primária absoluta ou na existência de uma verdade geral, acredita piamente que tal é o correcto comportamento a adoptar perante o mundo, os homens e os objectos. Essa é a sua verdade geral.
quinta-feira, novembro 18, 2004
O Segredo e a Verdade (Cont. 2)
2. Caso queira investigar se é possível ler O Primo Basílio aos vinte e cinco anos da mesma forma que se lê aos cinquenta, terei de esperar ainda algum tempo. É provável que o leia mais uma ou duas vezes entretanto. Dois momentos no episódio doméstico de Eça de Queirós despertaram a minha perplexidade de leitor profundamente subjectivo. Um deles é uma imagem da axila felpuda e loura de Luísa, os pequenos ninhos de cabelo frágil em caracol. Só um narrador com a dimensão de Eça poderia alguma vez atribuir uma carga tão estética e erótica a um traço hoje tão banido (deo gratias) das convenções de beleza feminina. O outro momento consegue exemplificar o quão fértil pode ser uma ou outra intertextualidade. Pois a passagem, se manifestamente insignificante para a economia fundamental da narrativa, é seguramente um bom ponto de partida para as investigações que se seguem. Julião, nos seus modestos aposentos, discute com um colega, um estudante de Escola. E diz assim de sua justiça:
Que nos importa a nós o princípio da vida? Importa-me tanto como a primeira camisa que vesti! O princípio da vida é como outro qualquer princípio: um segredo! Havemos de ignorá-lo eternamente. Não podemos saber nenhum princípio. A vida, a morte, as origens, os fins, mistérios! São causas primárias com que não temos nada a fazer, nada! Podemos batalhar séculos que não avançamos uma polegada.
Eu julgo que estas palavras vão muito além das tendências positivistas da geração de setenta. E isto essencialmente porque o positivismo científico ou o realismo literário são apenas versículos ínfimos de uma questão tão antiga quanto enigmática: a verdade de tudo. Ou nas palavras do Sr. Julião Zuzarte, o princípio da vida, as causas primárias.
Que nos importa a nós o princípio da vida? Importa-me tanto como a primeira camisa que vesti! O princípio da vida é como outro qualquer princípio: um segredo! Havemos de ignorá-lo eternamente. Não podemos saber nenhum princípio. A vida, a morte, as origens, os fins, mistérios! São causas primárias com que não temos nada a fazer, nada! Podemos batalhar séculos que não avançamos uma polegada.
Eu julgo que estas palavras vão muito além das tendências positivistas da geração de setenta. E isto essencialmente porque o positivismo científico ou o realismo literário são apenas versículos ínfimos de uma questão tão antiga quanto enigmática: a verdade de tudo. Ou nas palavras do Sr. Julião Zuzarte, o princípio da vida, as causas primárias.
quarta-feira, novembro 17, 2004
O Segredo e a Verdade ou o segredo que nos move na busca ou asserção de uma verdade
1. Dois motivos justificam a organização deste texto em secções, das quais esta é a primeira. Num pessimismo talvez exagerado não considero ser possível conceber um corpo de texto coerente no que diz respeito ao tema que pretendo desenvolver. Daí a estruturação por pequenos capítulos, os quais, ainda que distintos em inspiração, poderão conjuntamente contribuir para algum entendimento dos problemas em causa. Fica assim explicado o primeiro motivo, sendo que o segundo, intimamente relacionado com o precedente, se prende com a natureza do assunto a cujo tratamento o presente texto se propõe. Não se afigura viável, no contexto deste projecto e de acordo com a disposição de quem a ele agora se entrega, preparar com cautela notas e rascunhos, primeiras versões e compêndios bibliográficos acerca daquilo a que precisamente se chama segredo e a que nós (sim nós, a gente toda), atribuímos a localização da verdade. Não quero já entrar nas reflexões propriamente ditas, mas julgo ainda assim compreensível que este texto seja constituído por pequenos acessos de escrita, inspirações subitamente registadas, textualidades várias e diferentemente abordadas. Pois também assim é o nosso caminho rumo ao que cremos existir de absolutamente verdadeiro, absolutamente secreto e absolutamente capaz de explicar as coisas todas. É um caminho de avanços e recuos, por fases e episódios. Fazendo concordar forma e fundo, a estrutura deste texto reflecte nas suas secções numeradas a modéstia das suas aproximações.
sexta-feira, novembro 12, 2004
sei bem que a viste
vi que estavas a meu lado:
uma terrível faixa afogueada
de um dourado intenso, quase cegante
cortava pela base o céu inteiro
um céu matutino
carregado de água
ao primeiro olhar
não pude bem crer
em tamanha violência
em tão voraz contraste
um espinho atravessado na manhã escura
não seria de esperar ouvir
gritos, ao menos
lamentos e gemidos
ainda que breves?
o espectáculo durou outra hora
até à extinção triste
de uma luz que não pode sobrar
a tudo assisti da minha cama
e devido a lesão no pé direito
não mais pude almejar
que os limites da janela
tu saíste para a rua
foste, como se diz,
à tua vida
para ver que extensões poderia tomar
a rebelião do fogo
sobre o carro de chuvas e ventos
vi que estavas a meu lado:
uma terrível faixa afogueada
de um dourado intenso, quase cegante
cortava pela base o céu inteiro
um céu matutino
carregado de água
ao primeiro olhar
não pude bem crer
em tamanha violência
em tão voraz contraste
um espinho atravessado na manhã escura
não seria de esperar ouvir
gritos, ao menos
lamentos e gemidos
ainda que breves?
o espectáculo durou outra hora
até à extinção triste
de uma luz que não pode sobrar
a tudo assisti da minha cama
e devido a lesão no pé direito
não mais pude almejar
que os limites da janela
tu saíste para a rua
foste, como se diz,
à tua vida
para ver que extensões poderia tomar
a rebelião do fogo
sobre o carro de chuvas e ventos
quinta-feira, novembro 11, 2004
Vi ontem The Glas Menagerie de Tennessee Williams no Bedlam Theatre de Edimburgo. Amanda Wingfield é uma matrona simpática e lutadora, abandonada há alguns anos pelo esposo. Este, do qual permanece ainda um portentoso retrato, trabalhava para a companhia de telefones e decidira um dia pura e simplesmente não mais voltar para a família. Andaria talvez pelo mundo, parando em todo o lado menos em casa. Amanda refere-se ao marido de uma forma absolutamente genial: a telephone man who fell in love with long distances.
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