aflige-te algo
vindo da rua.
suspeitas que alguém
parado lá fora
examina o rebordo
da tua portada.
e que busca o ensejo
de irromper pela sala
e vir junto a ti
com palavras na boca
fazer-te maldades
suspeitas que alguém
ainda que vil
tenciona contigo
fazer uso da língua
e com rudes esbracejos
sancionar finalmente
a tua vaga existência
mas no fundo conheces
a dimensão trágica
de tamanho engano
domingo, abril 18, 2004
domingo, fevereiro 29, 2004
Seis
Junto à pequena esplanada, sob a ameaça de uma chuva inesperada, pai e filho jogam à bola. O miúdo exibe o compreensível egoísmo dos putos pequenos: quase não chuta para golo, envolvendo-se em fintas inconsequentes cujo êxito vai dependendo da natural benevolência paterna. Trata-se de um desinteressante baliza a baliza, de guarda-redes adiantados. Ainda assim não consigo tirar os olhos do jogo.
A dada altura, e após mais uma das tristes incursões do pequeno artista, o jovem pai vê-se na situação de poder picar a bola sobre o inexperiente adversário, perante a baliza escancarada. "Volta para a baliza, vá, corre!". O miúdo parece desorientado, meio correndo, meio esperando pelo inevitável chapéu. "Ainda não, pai! Espera! Ainda não!"
Perante tudo isto recupero da memória um certo desafio no campo da reboleira. Terão sido estas também as palavras de baía ao implacável júlio césar?
A dada altura, e após mais uma das tristes incursões do pequeno artista, o jovem pai vê-se na situação de poder picar a bola sobre o inexperiente adversário, perante a baliza escancarada. "Volta para a baliza, vá, corre!". O miúdo parece desorientado, meio correndo, meio esperando pelo inevitável chapéu. "Ainda não, pai! Espera! Ainda não!"
Perante tudo isto recupero da memória um certo desafio no campo da reboleira. Terão sido estas também as palavras de baía ao implacável júlio césar?
terça-feira, fevereiro 24, 2004
terça-feira, janeiro 27, 2004
Cinco
Pensei em poder escrever qualquer coisa sobre esta cidade. Não seria a primeira vez que me ocorre dizer um par de coisas sobre os lugares que por mim passam. Esta não é porém uma cidade qualquer. Tem uns quantos poetas, disso não duvido. Mas na verdade esta cidade é habitada por laranjeiras e pelos perfumes que delas emanam, efervescentes. Por aqui o sol bate por dentro em golfadas suaves. As ruas da antiga judiaria arrumam-se apertadas nas margens de um rio em cotovelo. Eu queria escrever qualquer coisa sobre esta cidade, porque nela os becos têm sempre qualquer coisa à nossa espera. Ao peregrino oferecem-se ondas de sentimentos inéditos , forjados ao encanto do passado. Uma cidade que o tempo fez passar de mão em mão, ao sabor da peleja. A roma de colunas sólidas. O orgulho bárbaro. Uma estrela de oito pontas. O grande alá. A reconquista de anjos e santos, nos seus galardões de ouro. Por tudo isto, pelas pedras sobre pedras suspensas no perfume dos pomares carregados, achei que até podia escrever umas coisas sobre esta flor de laranjeira. Berço de averróis, citada por cervantes, cantada pelo fulgor de gôngora. Achei que podia falar disto tudo. Mas quando me pus a rabiscar uns prelúdios, voltaste-te para mim do espelho a que te enfeitavas e perguntaste, perfeita como és: 'vais escrever sobre mim?'
Como é possível escrever duas linha decentes depois de ouvir isto da tua boca? Como é possível não me entregar de bom grado ao motivo de uns lábios doces e dedicar-lhes a escrita toda?
Como é possível escrever duas linha decentes depois de ouvir isto da tua boca? Como é possível não me entregar de bom grado ao motivo de uns lábios doces e dedicar-lhes a escrita toda?
domingo, janeiro 25, 2004
segunda-feira, janeiro 19, 2004
terça-feira, janeiro 13, 2004
Laboratório. Investidas de um fogo sobre material plástico de natureza química.
À primeira investida o material perde índices de solidez, o que é aliás atestado pelo nosso posterior manuseamento. A forma mantém-se porém inalterada, pelo menos a partir do nosso ponto de observação. Não são de igual modo verificadas alterações cromáticas. Emanação de leve odor químico, não sem mínimo efeito de atordoamento nos observadores.
A segunda investida do fogo é agora mais prolongada e incisiva que a precedente. Sem que se verifiquem mudanças de especial ao nível da cor e cheiro, a verdadeira novidade é uma mais acentuada perda de solidez. Na constatação por manuseamento, a matéria plástica revela-se elástica, sem que porém isso afecte radicalmente a sua consistência. Cola-se aos dedos, evade-se por debaixo das unhas e pelas reentrâncias da superfície de experimentação. O material apenas se desintegra por meio de movimentos bruscos ou cortantes.
O terceiro periodo de incineração faz com que o material adquira já certas manchas de cor chamuscada, não completamente negra. O cheiro é o de sempre, inofensivo e sem intensidade. Aí, a consistência segue o exemplo da solidez: dá de si sob a acção do fogo persistente. É possível desfazer o material com facilidade, já não se verificando a forte elasticidade de outros tempos.
Reunimos os fragmentos da matéria esquartejada num todo que é posteriormente submetido a uma quarta investida do lume, na qual depositamos algumas esperanças científicas. Na realidade, a passagem do estado sólido ao líquido parece à beira da consumação, fazendo-se acompanhar de festivos estalidos que cedo evoluem para reais explosões de matéria. O pequeno volume da mesma não deixava adivinhar uma tão acentuada ferocidade de explosão. Para além de surpreendidos, os observadores procuram refúgio num dos cantos do laboratório. Àquele que se aventura perto da mesa de experimentação munido de extintor de emergência, incendeiam-se-lhe as faces e partes significativas do torso. As chamas alastram a todo o laboratório e o poder explosivo da matéria é agora atroz. Esta reage ao acaso e de forma ostensiva à propagação do fogo opressor. Uma comissão de inquérito irá dias mais tarde questionar as condições de segurança do complexo e a competência científica da equipa responsável por tão audaz empresa.
A segunda investida do fogo é agora mais prolongada e incisiva que a precedente. Sem que se verifiquem mudanças de especial ao nível da cor e cheiro, a verdadeira novidade é uma mais acentuada perda de solidez. Na constatação por manuseamento, a matéria plástica revela-se elástica, sem que porém isso afecte radicalmente a sua consistência. Cola-se aos dedos, evade-se por debaixo das unhas e pelas reentrâncias da superfície de experimentação. O material apenas se desintegra por meio de movimentos bruscos ou cortantes.
O terceiro periodo de incineração faz com que o material adquira já certas manchas de cor chamuscada, não completamente negra. O cheiro é o de sempre, inofensivo e sem intensidade. Aí, a consistência segue o exemplo da solidez: dá de si sob a acção do fogo persistente. É possível desfazer o material com facilidade, já não se verificando a forte elasticidade de outros tempos.
Reunimos os fragmentos da matéria esquartejada num todo que é posteriormente submetido a uma quarta investida do lume, na qual depositamos algumas esperanças científicas. Na realidade, a passagem do estado sólido ao líquido parece à beira da consumação, fazendo-se acompanhar de festivos estalidos que cedo evoluem para reais explosões de matéria. O pequeno volume da mesma não deixava adivinhar uma tão acentuada ferocidade de explosão. Para além de surpreendidos, os observadores procuram refúgio num dos cantos do laboratório. Àquele que se aventura perto da mesa de experimentação munido de extintor de emergência, incendeiam-se-lhe as faces e partes significativas do torso. As chamas alastram a todo o laboratório e o poder explosivo da matéria é agora atroz. Esta reage ao acaso e de forma ostensiva à propagação do fogo opressor. Uma comissão de inquérito irá dias mais tarde questionar as condições de segurança do complexo e a competência científica da equipa responsável por tão audaz empresa.
domingo, dezembro 28, 2003
Pequena dramaturgia. Opções para um desenlace.
Bilro é aquilo a que podemos chamar um digno representante da midlife crisis nacional. Gere a contabilidade de um negócio alheio. Casado e pai de filhos nenhuns. Glória é o nome da esposa, carente e resignada. Professora primária mal paga. Doce de ancas e peitos. Quando a noite cair sobre aquela casa...
1. Bilro e Glória irão jantar em sossego, regando o repasto com trivialidades do género o antunes anda lá a chatear-me com uns números ou parece que a minha mãe anda mal outra vez. Vão apagar a luz às vinte e três e sonhar com formas e cores que não compreendem.
2. Glória toma a iniciativa de fritar peixe-espada para o jantar e Bilro chega a casa com umas trombas a arrastar pelo chão. Começam a discutir uma qualquer peça de telejornal. Uma autarquia fraudulenta. O pnr em congresso nacional. Alguns comentários mais acesos, a coisa dá para o torto e começam numa de ataques pessoais. A vida sem beijos. Glória tem a mania que é mais do que os outros. Bilro, um insensível. Que merda! Vão para a cama, as costas voltadas, a vida sem beijos.
3. Glória vai querer explodir num pranto. Andou a pensar nisso desde manhã cedo, quando deixou derramar uma bica pelo branco da banal camiseira. Antes que se ponha a chorar, Bilro diz-lhe que quer pôr-se a andar dali para fora, sem dramas. Dar tempo ao tempo e ver se aquilo que sente pelo antunes é para valer.
4. Glória entra em casa alvoraçada. Vem desde a paragem de autocarro com vontade de foder. Traz uma garrafita de vinho. Entretanto, e terminado o dever do dia, Bilro vai já satisfazendo a sua igualmente enorme vontade com a secretária aninhas, no escritório. O cio dos animais.
5. Glória espera em vão pelo marido até às nove e meia. O telefone toca...
A linha verde encontra-se de momento encerrada por motivo de acidente humano. Pedimos desculpa aos senhores passageiros pelo incómodo causado. Queria ter-lhe dito que ainda acreditava nos dias, que estava grávida.
1. Bilro e Glória irão jantar em sossego, regando o repasto com trivialidades do género o antunes anda lá a chatear-me com uns números ou parece que a minha mãe anda mal outra vez. Vão apagar a luz às vinte e três e sonhar com formas e cores que não compreendem.
2. Glória toma a iniciativa de fritar peixe-espada para o jantar e Bilro chega a casa com umas trombas a arrastar pelo chão. Começam a discutir uma qualquer peça de telejornal. Uma autarquia fraudulenta. O pnr em congresso nacional. Alguns comentários mais acesos, a coisa dá para o torto e começam numa de ataques pessoais. A vida sem beijos. Glória tem a mania que é mais do que os outros. Bilro, um insensível. Que merda! Vão para a cama, as costas voltadas, a vida sem beijos.
3. Glória vai querer explodir num pranto. Andou a pensar nisso desde manhã cedo, quando deixou derramar uma bica pelo branco da banal camiseira. Antes que se ponha a chorar, Bilro diz-lhe que quer pôr-se a andar dali para fora, sem dramas. Dar tempo ao tempo e ver se aquilo que sente pelo antunes é para valer.
4. Glória entra em casa alvoraçada. Vem desde a paragem de autocarro com vontade de foder. Traz uma garrafita de vinho. Entretanto, e terminado o dever do dia, Bilro vai já satisfazendo a sua igualmente enorme vontade com a secretária aninhas, no escritório. O cio dos animais.
5. Glória espera em vão pelo marido até às nove e meia. O telefone toca...
A linha verde encontra-se de momento encerrada por motivo de acidente humano. Pedimos desculpa aos senhores passageiros pelo incómodo causado. Queria ter-lhe dito que ainda acreditava nos dias, que estava grávida.
sexta-feira, dezembro 26, 2003
Quatro
Se eu te perguntar agora o que vamos fazer com as nossas vidas vais ficar calada, tenho quase a certeza. Tenho passado as manhãs e algumas tardes a coleccionar os elementos que constroem à minha volta o espaço em que me encontro. Movo-me lentamente e registo eventuais alterações. Deixo a luz entrar solenemente pela larga janela da varanda para dar conta dos seus cambiantes e sentir o ar afogar os meus olhos. Reflicto também sobre banalidades quotidianas, e vou adiando outros temas a necessitar debate sério, sem urgência. E que vamos fazer nós das nossas vidas? O que é que em último caso pode ser feito? O que é que os dias trazem consigo que ao menos valha a pena? Vamos preferir ficar calados. Vamos esperar, permanecer. Agora vem chegando lentamente a segunda vaga de abstracção. Vou procurar convencer-me da natureza da realidade em que me movo. E o meu pensamento, em auto-avaliação, vai acreditando solidamente na verdade de todos os contornos. Abstraio-me do que possa vir a sentir. Um fôlego a mais e morro. É possível viver assim. Ficar à escuta, um pouco como que à espera.
Já se passaram uns anos e vai por certo chegar o dia em que vamos de novo fazer a mesma pergunta. Já não será olhos nos olhos. A resignação pesa sobre a cabeça e crava os olhos no chão. Passados já uns anitos, podemos agora defender-nos dos dias que hão-de vir, falando dos dias que já foram. Ainda somos capazes de recordar. Vai matando o tempo e cria entre nós sentimentos estáveis. Há quem lhes chame laços. A próxima vez que nos questionarmos sobre o que fazer das vidas tão nossas, não haverá mais razão para alarme. Todo o tempo que tivemos estará já atrás de nós, passado diante dos próprios olhos. O que está à frente é tão vazio que até dói. Vazio demais para ser verdade.
Pensamos às vezes na morte. Podemos até vir a ter uma surpresa. Por enquanto vamos entretendo as horas a recordar um pouco mais. Agora mais do que nunca. É já um passatempo. Isto vai mesmo criando laços fortes. Podemos ainda, se quiseres, pôr em causa a validade da pequena existência que nos foi sufocando. Podemos lembrar que não havia nada a perder, que tínhamos que ter decidido o que fazer da nossa vida, custasse o que custasse. Talvez fiquemos loucos. Mas quando eu sentir que chegou a nossa última hora juntos, vou olhar-te olhos nos olhos. O amor levanta a cabeça e crava os meus olhos nos teus. Há quem diga que é aqui que se chora a valer. Vou gostar de ter passado uma vida contigo. E todas as horas, se inúteis e apagadas, foi por não te ter nos meus braços. E se nada fizemos da vida, foi porque nada havia melhor para fazer que colar os corpos com o suor da noite. E selá-los com beijos. E fingir que até nos preocupávamos com o que fazer dos dias depois.
Já se passaram uns anos e vai por certo chegar o dia em que vamos de novo fazer a mesma pergunta. Já não será olhos nos olhos. A resignação pesa sobre a cabeça e crava os olhos no chão. Passados já uns anitos, podemos agora defender-nos dos dias que hão-de vir, falando dos dias que já foram. Ainda somos capazes de recordar. Vai matando o tempo e cria entre nós sentimentos estáveis. Há quem lhes chame laços. A próxima vez que nos questionarmos sobre o que fazer das vidas tão nossas, não haverá mais razão para alarme. Todo o tempo que tivemos estará já atrás de nós, passado diante dos próprios olhos. O que está à frente é tão vazio que até dói. Vazio demais para ser verdade.
Pensamos às vezes na morte. Podemos até vir a ter uma surpresa. Por enquanto vamos entretendo as horas a recordar um pouco mais. Agora mais do que nunca. É já um passatempo. Isto vai mesmo criando laços fortes. Podemos ainda, se quiseres, pôr em causa a validade da pequena existência que nos foi sufocando. Podemos lembrar que não havia nada a perder, que tínhamos que ter decidido o que fazer da nossa vida, custasse o que custasse. Talvez fiquemos loucos. Mas quando eu sentir que chegou a nossa última hora juntos, vou olhar-te olhos nos olhos. O amor levanta a cabeça e crava os meus olhos nos teus. Há quem diga que é aqui que se chora a valer. Vou gostar de ter passado uma vida contigo. E todas as horas, se inúteis e apagadas, foi por não te ter nos meus braços. E se nada fizemos da vida, foi porque nada havia melhor para fazer que colar os corpos com o suor da noite. E selá-los com beijos. E fingir que até nos preocupávamos com o que fazer dos dias depois.
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Três
Travei recentemente conhecimento com um jovem marinheiro das bandas litorais de Aveiro, simpático e afável, mas de uma extraordinária ingenuidade. Foi uma situação acidental, ele meteu conversa comigo, eu andava por ali. Quis saber algumas coisas sobre mim e assim iniciou uma conversa. Dez minutos depois já me estava a dar cigarros, ditos 'dos dele', daqueles que ele fuma no barco em temporadas de pesca. Uns banalíssimos winston em maço mole. Aceitei um maço inteiro e ele começou a desabafar-me as suas dificuldades em mover-se na capital do império. Teria de ir para o Porto ao início da noite e não fazia ideia onde ficava Santa Apolónia. O facto de se encontrar absolutamente teso não ajudava à situação. Mas ele era um marinheiro em serviço, recambiado do alto mar para terras pátrias por ter quase perdido um dedo num acidente com redes e não poder mais vergar a mola. E como era monstruoso aquele polegar esquerdo! Esperava poder contar com as autoridades para chegar à estação. Eu tudo ouvi e compreendi. Compadeci-me dele. Mas não estava nas minhas possibilidades ajudá-lo. E por acaso começava a já não poder mais ouvir o homem, essa enorme besta defeituosa. Dei a entender que me preparava para ir embora. Deteve-me por minutos ainda, acabou por me pedir dinheiro para comprar o bilhete, como se fosse evidente que não pudesse recusá-lo. Não tive outro remédio que mandá-lo à bardamerda. Levantei-me e virei-lhe as costas. Não me arrependo... Sou por vezes impetuoso e desagradável, e não me preocupo em portar-me como sou. Pobre homem do mar, reles e honesto. Gravado traz no peito o cheiro a porão e maresias. Nem que me pagassem me apanhavam nesses barcos imundos a braços com pesca grossa.
quinta-feira, dezembro 18, 2003
Dois
Encontrei há três dias o Alberto. É um homem curioso... Há que dizê-lo sem falsos pejos, é alguém de extraordinário valor. Agrada-me o seu ar e o seu tipo. O Alberto. Já não o via há praticamente um ano. Acerca dele convém acima de tudo reconhecer que é um inadaptado, quase um dejecto social ou vulgar e rude aberração humana. Mas daí a não gostar dele... E eu gosto, gosto e muito. O Alberto. É certo que já fomos mais chegados, via-o todos os dias. Mas passámos a ser mais realistas em relação aos caminhos que teríamos de tomar. E cada um tem a sua vida, como é evidente. Que rijo me pareceu de costas e peito. Perguntou-me se atacava com ele umas imperiais. Ando sem tempo... Levava um esplêndido galgo pela trela.
terça-feira, dezembro 16, 2003
Um
Gosto de ouvir das pessoas que sou um rapaz jeitoso, até mesmo com um futuro pela frente. Fico contente, quase excitado. Encosto, sem que notem, o meu ouvido às suas bocas espumantes e fico assim mesmo, tardes perdidas, suspenso em palavras doces e redondas. Quando param de falar e finalmente decidem que há outras coisas a fazer e tratar, retiro-me ao meu quarto, empaturrado como após uma refeição à antiga. E adormeço cansado, mais que satisfeito.
Confesso que o inverno me aflige partes determinadas da estrutura neurológica. Ressinto-me de uma perda substancial das capacidades perceptivas e de uma total falta de sentido para a vida. Dou-me mal com chuvas e outras intempéries, põem-me a alma mirradinha e fragilizada. A depressão é apenas uma das consequências naturais.
Confesso que o inverno me aflige partes determinadas da estrutura neurológica. Ressinto-me de uma perda substancial das capacidades perceptivas e de uma total falta de sentido para a vida. Dou-me mal com chuvas e outras intempéries, põem-me a alma mirradinha e fragilizada. A depressão é apenas uma das consequências naturais.
sexta-feira, dezembro 12, 2003
se te atraem uns versos
de amor e pecado
e olhas as flores
de modo emotivo
se o sol p'la manhã
te incita ao lamento
e flutuas no espaço
perdido e ausente
se as coisas que dizes
não fazem sentido
e os dias parecem
mais longos que o tempo
então te digo
das duas uma
ou és mariconço
ou estás armado em parvo
de amor e pecado
e olhas as flores
de modo emotivo
se o sol p'la manhã
te incita ao lamento
e flutuas no espaço
perdido e ausente
se as coisas que dizes
não fazem sentido
e os dias parecem
mais longos que o tempo
então te digo
das duas uma
ou és mariconço
ou estás armado em parvo
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