sábado, setembro 29, 2012

Ontem como hoje. Um poema de Carlos Drummond de Andrade

Elegia 1938


Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as acções não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.


domingo, setembro 23, 2012

Uma canção para domingo


Wouldn't you like to know how far you've got left to go?



quinta-feira, setembro 20, 2012

O grito de Wilhelm



O grito de Wilhelm é um efeito sonoro utilizado repetidamente ao longo das décadas em produções cinematográficas norte-americanas, sempre que um dado personagem é atingido por um projéctil ou cai de uma grande altura. Embora tivesse utilizado pela primeira vez no filme Distant Drums (1953), o grito obteve o seu nome após utilizado no filme The Charge at Feather River (1953), onde o personagem Wilhelm é atingido por uma seta índia (início do vídeo).


quarta-feira, setembro 05, 2012

De regresso. Com poema de Nagy László




O meu coração brinca,
transluz-me pela camisa,
é fada para outro coração,
até que chegue a madrugada

Nasci, cresci
num bosque denso de ervas daninhas,
sou uma flor, tenho medo:
e se um dia eu passar a urtiga?

Os meus anos proliferam
em luz, em trovão,
devo trocar por vinagre
tudo o que tenho de doce